sábado, janeiro 12, 2008

O Reino Defunto Vive

Outono morto,
a mão lenta e trémula,
o pé outrora belo e apetitoso
- agora enrugado.
Os dias de claridade fugaz,
a cabeça oca,
o tempo gasto num gesto largo,
num vício de portas trancadas
sem postigo nem campainha.
A chuva não sacia a sede
dos recifes aos corais do meu peito,
da dor disseminada
no fundo dos rochedos,
batidos por um tenebroso mar
de abismo e frio.
À tona, vejo impenetráveis uvas
contendo o vinho,
o sangue e a alma tremente,
cintilante com a maré.
Escrevemos por nossa boca morta;
gritamos por nossa alma farta.
À terra nos juntamos,
aliados e inimigos,
no silêncio de uma noite interminável.
Já não são minhas as palavras,
mas dos índios sepultados em solo estéril
de arquipélagos sonhados e sonhadores.

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3 Comments:

Blogger Rato do deserto said...

das coisas mais pesadas que já li tuas, Davi. Espero que esteja tudo ok. Um abraço amigo.

domingo, janeiro 13, 2008 7:22:00 da tarde  
Blogger Davi Reis said...

Está, meu amigo. Às vezes sai... Pelo menos sai, não fica cá dentro. É uma espécie de expiação.

:)

Aquele abraço

segunda-feira, janeiro 14, 2008 10:46:00 da manhã  
Anonymous gc said...

Foste aos arquivos sensoriais tenebrosos..fazes bem em expiar, não guardes..solta..

A seguir às trevas vem luz

Abraço fraterno

segunda-feira, janeiro 14, 2008 10:50:00 da manhã  

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