Terça-feira, Julho 21, 2009

Corpúsculo

Não posso arrancar do céu uma estrela,
como se para fazer poesia bastasse escrevê-la,
mas posso olhá-la, compreendê-la
e fazer dela motivo do poema.

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Sexta-feira, Julho 17, 2009

Acho que o Caderno de Corda a ricochetear no Facebook me inibe...

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Finalmente, um sobrinho em 2009!


O Henrique Miguel Rodrigues Trigo nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, terça-feira, às 23h45, com 3.324 Kg - um calmeirão, portanto. Filho do meu muito querido amigo João Trigo e da simpática Susana, deu algumas horas de trabalho de parto, mas tudo correu pelo melhor.
As fotos foram tiradas logo após o nascimento e enviadas hoje a amigos. O pai diz que se parece com a mãe, mas, pelo sim; pelo não, quer manter as semelhanças por aí... É que o Miguel Trigo, com porte de defesa central ou ponta-de-lança, vai ser sportinguista à força...
Como alguns saberão, o João Trigo mexe uns cordelinhos na revista PC Guia. De tal modo está inebriado pela paternidade, que temos, em primeira mão, a polémica capa da próxima edição da revista - óbvio abuso de poder e manipulação de um órgão de comunicação para noticiar o feliz acontecimento!:

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Eu Digo-te

Como escrever poemas se me irritam os trejeitos, os malabarismos, as lamechices?;
se me aborrecem palavras "d'oiro", tão rebuscadas e pirosas na mesma medida?;
se um código poético se apresenta hermeticamente indecifrável?
Pergunta-me porque escrevo e eu digo-te:
Porque me sinto acompanhado.

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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Excerto incompleto da primeira edição do documentário Zeitgeist, de Outubro de 2007. AQUI pode encontrar-se a edição final do filme, de Março de 2008

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Mito

A voz, ao nascer,
caminha sobre um espelho partido.
Ao nascer, a voz
remete-se a silêncios aflitos.

Do ventre donde tinha vindo
escondeu-se e foi carpindo.
Silente consentiu o mito,
comeu o pão e foi bebendo o vinho.

A voz, estilhaçada,
sobrevoa o tecto de uma casa,
e o chão é voz
de um urro de dentro da Terra.

Do ventre donde tinha vindo,
sussurrou o milho ao moinho
e abriu fendas que levantam mares;
devoram homens; arrasam cidades.

A voz chega-nos ao ouvido
vinda do ventre de um dragão faminto
aprisionado na jaula de vidro
onde Hórus é mito e não Cristo.

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Domingo, Julho 05, 2009

Paterno

Desejar é vital como a dor confirma o estado de estar vivo
- especialmente perante a merditude das coisas,
e "A Merditude das Coisas" é dos melhores títulos dos últimos tempos.
Tu sabes que um sorriso falso nos esmorece,
entretecidos pela aragem quente de Lisboa.
Talvez por isso prefira não sorrir a maior parte do tempo.
Para existir tenho de te contar as estórias de um peixe grande
as vezes que forem necessárias, até que as tomes por verdadeiras.
Em breve pego em ti e vamos estrada fora;
esquecer que as coisas têm preço;
montar a tenda ilicitamente junto à praia
e deixar ir o carro em ponto morto, ir
até que nos tomemos por Homens;
capitães penteados pelo vento.
Não aguardes por mim.
Apareço quando menos esperares.

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Terça-feira, Junho 23, 2009

Desde ontem em Porto Côvo, com acesso difícil à Internet

Domingo, Junho 21, 2009

Grande concerto de Mariza na Baía de Cascais - 20/6/2009

video

O vídeo era para ser uma fotografia. O Carlos Lima tinha ido ao quarto do guitarrista Diogo Clemente ver uma guitarra e eu tive de pedir ao João Pedro Ruela, simpático manager da Mariza, para tirar a foto com o meu telemóvel. Por engano, o fotógrafo improvisado acabou por fazer um vídeo.

Um agradecimento especial a toda a equipa da Audio Matrix e da Mariza, que hoje entrou em cena literalmente vinda do mar, donde cantou, num barco à vela histórico, a primeira canção do espectáculo - "Já Me Deixou".

Revi o enorme baterista Vicky, que conheci curiosamente algures em 1995, e pude finalmente felicitá-lo por hoje ser reconhecido, tão jovem ainda, como um músico português de primeira linha. E pensar que um incontornável baterista de hard rock e metal podia, um dia, ajudar a catalisar um projecto musical tão português sedimentado no fado... O Vicky merece e a Mariza reconhece. Um concerto da Mariza tem indubitavelmente raiz no fado, mas é um fado com power! Hey, hey, Vicky!

Por fim, prometo não fazer do Caderno de Corda, meu depositório poético e janela para o mundo, uma "Caras" blogosférica, mas o azimute assim apontou a intersecção de brilhos estelares. E, convenhamos, o Steve Vai e a Mariza são ícones que merecem, quanto a mim, este registo.

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

Duas fotos que não valem duas mil palavras...

As palavras ficam para o exclusivo da próxima Produção Áudio Música. Não é meu hábito falar de trabalho ou de coisas terrenas do quotidiano social no Caderno de Corda, mas, for the record, e porque, nestes casos, trabalho é prazer e um tête-à-tête com o Steve Vai não é coisa terrena, aqui ficam duas fotos deste encontro inesquecível, há algumas horas, no Centro Cultural Olga Cadaval, a propósito da masterclass "Alien Guitar Secrets". A minha velha e (agora) valorizada Ibañez já tem o boneco do Steve e revi alguns companheiros de guitarra, como o Luiz Arantes ou o João Alves. Mas os créditos são do José Carlos Matos - "o JCM que não é Marshall"... ;)

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Quarta-feira, Junho 17, 2009

Tête-à-tête com Steve Vai

Rasgo a flanela preta do silêncio que abriu paredes de ar entre o Caderno de Corda e os estimados leitores para dizer que amanhã estarei à conversa com Steve Vai - o próprio! -, no Centro Cultural Olga Cadaval, antes de uma Masterclass para guitarristas a que também assistirei - "Alien Guitar Secrets". Não vou perder a oportunidade de levar a minha querida Ibañez Ex-370 para que a lenda viva deixe o respectivo e lendário gatafunho na dita. Tenho carta branca para propôr-me para uma jam session com aquele que, para muitos experts, é o melhor guitarrista vivo, mas duvido que o faça... Não gosto de parecer um tótó.

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Terça-feira, Junho 09, 2009

Perdoem-me os estimados leitores, mas um volume de trabalho anormal deixou-me assoberbado nestes últimos dias...

Adiante, por mera curiosidade meteorológica, repare-se AQUI como, há cerca de um ano, as coisas estavam mais ou menos na mesma...
PS: O que eu queria escrever no título era "volume anormal de trabalho" e não "volume de trabalho anormal"... Então porque não edito o post, simplesmente? Ai a ordem dos factores...

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Quinta-feira, Junho 04, 2009

Gabriela Cravo e Canela

Na imagem podemos ver a Gabriela Semedo Gaspar com 22 semanas. Nasceu no passado dia 1 de Junho com 3045 gramas, às 12h10. O dia da criança será sempre inesquecível para os pais Ricardo Gaspar e Anabela Semedo, meus bons amigos, por quem tenho muita estima. Atrevo-me dizer que tenho mais uma sobrinha. Este ano já nasceram duas e vêm mais a caminho. A colheita natal de 2009 vai ser de arromba! Muitíssima qualidade genética! :)

A Belinha há uns meses. Yes you can!

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Domingo, Maio 31, 2009

Sábado, Maio 30, 2009

Ficção

Invento mentiras
para contar a Verdade.
Deus está na chuva;
na casa do lago
onde os antílopes brincam.
Morte por desventura
é talvez coisa que não exista.
"Não há coincidências", lembra-te.
Se apanhar uma bala com os dentes,
a ilusão será a minha morte.

Severin espera-te lá.

Foto DAQUI

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Sábado, Maio 23, 2009

"Escrever muito parece ser derivante de um padecimento de angústia e de debilidade de viver; ou o modo de evitar paixões, ou saciá-las sem as sofrer."

Agustina Bessa-Luís

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Quarta-feira, Maio 20, 2009

evoL ni romA

Não há maior prisão que o amor
nem libertação maior que o amor.
Não há coisa que seja em si tão doentia
e geradora do maior bem, da mais pura alegria.

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Domingo, Maio 17, 2009

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Planetas alinhados

(como iniciar este post?...)

Hoje, num só dia, recebi por email duas notícias inesquecíveis e raras. A primeira, chegada esta manhã, é a de que, depois de contactado ontem à noite pelo poeta Amadeu Baptista, verei incluído um poema inédito de minha autoria numa Antologia poética sob a temática "Música", organizada por Amadeu. Confirma-se, em primeira mão, que esta Antologia será dada à estampa nos primeiros meses de 2010, sob os auspícios do Conservatório de Música de Viseu.
A segunda notícia, recebida esta tarde, mas de igual modo surpreendente, é a de que verei também publicado em livro outro poema inédito, desta feita no Brasil, por ocasião do 9.º Concurso de Poesia da Universidade Federal de São João del-Rei, no estado de Minas Gerais. No comunicado de congratulações que recebi, estava implícito o convite para comparecer no cocktail de "Premiação e Lançamento" do livro, que integrará a programação do 22.º Inverno Cultural da UFSJ, previsto para o período de 11 a 19 de Julho de 2009. É óbvio que a viagem transatlântica não está incluída, mas, não deixando créditos por mãos alheias, já fiz seguir um email de réplica sedento por mais detalhes. Oportunamente, voltarei a fazer eco no Caderno de Corda destes verdadeiros happenings.

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Sábado, Maio 09, 2009

Youthless - Do Bacalhoeiro para Londres

O duo dinâmico Youthless, composto apenas por Sebastiano Ferranti (baixo e vozes) e Alex Klimovitsky (voz, bateria e sintetizador), actuou ontem à noite, sexta-feira, 8 de Maio, no Bacalhoeiro, para mais um showcase entre amigos, antes da partida para Londres, onde a banda tem já três datas marcadas para este mês.
Com escassos meses de existência, os Youthless fizeram ontem o seu terceiro concerto de sempre, mas a experiência de muitos anos a tocar juntos nos Three and a Quarter compensa, com a adrenalina habitual que os caracteriza, um espectáculo ainda embrionário. "Só estamos a tocar para os amigos, até estar super-cromo e da melhor gama de qualidade", disse-me, ipsis verbis, o Bill (Sebastiano) no seu português engraçado.
Não deixa de ser curioso notar que Alex, guitarrista e vocalista dos Three and a Quarter, seja teclista, baterista e vocalista em Youthless – instrumentos que pratica há apenas três meses (teclas) e um ano (bateria). “Sou essencialmente um compositor, então uso por autodidactismo qualquer instrumento em função do que pretendo. Sax, harmónica, berimbau... Mas, além da guitarra, sinto-me um puto com todos os instrumentos”, disse Alex ao jornalista Hugo Simões, recentemente, em entrevista à Produção Áudio.
A fórmula parece ser simples: "beats and melody." Mas há alguma complexidade, especialmente se notarmos que Sebastiano passa o som do baixo por dois amplificadores em simultâneo e usa, para tal, uma parafernália de controladores de pé cujos efeitos modulam singularmente o som de apenas um instrumento que enche a sala e marca, juntamente com o timbre da voz de Alex, a personalidade sonora deste duo.
O concerto, de cerca de 45 minutos, correspondeu ao que podemos ouvir na página MySpace da banda, mesmo sem a participação de Anthony Hegarty, cuja venda de frascos de suor será o próximo passo comercial, assim que os Youthless concretizem a "revolução social absoluta".
A performance de dez temas foi abrilhantada pelo psicadelismo retro emitido por um moderno sistema de projecção vídeo da casa e pelas backing tracks sonoras, a completar o ramalhete. Mas Alex terá de comprar in-ears ou phones wireless que lhe permitam tocar bateria a par e passo com o metrónomo sem o constrangimento de ver voar os headphones... De exaltar o preceito tímbrico e acústico da frigideira usada como cow-bell.
Entretanto, estou em crer que o projecto já foi reconhecido como parte da elite avant-garde da cena Dance/Garage de Londres, Nova Iorque e Lisboa - as três cidades-base dos dois músicos.
Este mês, seguem-se três espectáculos em Londres, a 18 (South of the Border), 20 (Notting Hill Arts Club) e 22 (Tower Tavern), e o regresso imediato aos palcos da noite lisboeta, com data marcada para o dia 29, na Galeria Zé dos Bois (ZDB), no Bairro Alto.

Alinhamento:

  1. Monsta
  2. Naïve Melody (dos Talking Heads)
  3. Golden Age
  4. Casper
  5. Good Hunters
  6. Re-Education
  7. La Moustache
  8. Harmonic Dub
  9. Karen O'
  10. White Bone Demon

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Sexta-feira, Maio 08, 2009

Youthless, logo à noite

Youthless é o nome do mais recente projecto de dois velhos amigos: Sebastiano Ferranti e Alex Klimovitsky, o duo dissidente dos Three and a Quarter. Logo à noite, no Bacalhoeiro, lá estarei mais uma vez.

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Quinta-feira, Maio 07, 2009

Duesenberg Starplayer TV

Era este o conteúdo do post que o LG KS20 não me permitiu publicar. Para fazê-lo, tive de enviar as fotos via MMS e pedir que mas reenviassem por email... Anyway, cá estão elas. Trata-se do meu mais recente brinquedo, vindo expressamente da Alemanha, onde esta Duesenberg Starplayer TV é fabricada. Semi-oca, com um excelente som grave e encorpado "à la Gibson Les Paul" e Bigsby à antiga, está em minha casa para que eu escreva um ensaiozito, depois de devidamente testada. É usada por gente como Eddie Vedder ou Rolling Stones. Vou aproveitar para fazer algumas gravações pendentes, no pouco tempo que tenho disponível, se de facto o tenho, antes que a devolva. De qualquer modo, há a possibilidade de ficar com ela... A ver vamos...

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Segunda-feira, Maio 04, 2009

LG KS20 sucks!

O post que hoje tinha para os estimados leitores tornou-se impossível de publicar devido a mais uma falha técnica do meu telemóvel, um suposto topo de gama. O software não procede à sincronização com o PC e nada feito quanto à transferência de ficheiros tais como fotografias. Por isto, que, num mar de problemas e insuficiências, é apenas a gota de água, renuncio o LG KS20.
Tenho-o há meses suficientes para perceber que se trata de um logro. O sem fim de motivos que me levam a dizê-lo é por demais extenso para que eu me gaste na tarefa de enunciá-los, esforço esse que o LG KS20 não merece. Que se lavre nas actas cibernéticas: O LG KS20 não presta! LG KS20 sucks! O LG KS20 é um fosso de problemas! LG KS20 is a pit of problems! Não compre o LG KS20! Don't buy LG KS20!

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Terça-feira, Abril 28, 2009

Mandrake


Folk-Lore 4 - Experiências para - Mandrake from Tiago Pereira on Vimeo.

O novíssimo blogue Mandrake, cujo projecto homónimo estreia em Junho no cinema S. Jorge, é mais um dos veículos de comunicação do recente trabalho do Tiago Pereira (Modular Vídeo), também autor do videoclip "História de Um Vinho Azedo", dos Baby Jane, e, por consequência, de parte das imagens do cabeçalho do Caderno de Corda.

O Mandrake sustenta-se numa narrativa fílmica que funde o documentário e o cinema, ou música orgânica e electrónica, com o auxílio de ferramentas digitais vídeo de performance ao vivo. Escusado seria dizer que o Mandrake vai direitinho para a lista de links...

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Por motivos ainda desconhecidos, o cabeçalho não se encontra disponível. Espera-se que o problema seja corrigido entretanto

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Origem e autor desconhecidos

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Domingo, Abril 26, 2009

Palavras Certas

As palavras certas aceleram orgasmos,
invocam espíritos e revoluções,
levantam mortos dos caixões
e põem-nos em steakhouses no Texas.

As palavras certas podem ser mentira;
podem derrubar muros e convicções;
humilhar tanto pior sem palavrões;
dar à morte valor que não se sonhou em vida.

Palavras certas teimam não sair de nós.
Se as sufocamos, teimam deixar-nos sós.
Se fala, parece que mente quem quer dizer o que sente.

Palavras certas dizem-se com outra voz,
beijando o ventre, fendendo a bruma, rasgando o cós
que ao mundo trouxe, falante, esta gente.

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Sábado, Abril 25, 2009

:R.

Ainda não é desta que assinalo o dia do golpe de Esta... er... quero dizer... Revolução com a publicação de um documentário fotográfico em filme que realizei em 2004, pelo trigésimo aniversário do 25 de Abril de 1974... Pedi há já longo tempo a um amigo para converter o filme em formato adequado, de modo a que eu pudesse fazer o respectivo upload no You Tube, mas o encontro ainda não foi possível, apesar de morarmos tão perto!...
O famigerado filme teve a genial e indispensável contribuição do excelente fotógrafo e jornalista Tiago Valente, meu bom amigo, recentemente regressado de Roma, onde permaneceu nos últimos dois ou três anos.
As três fotografias que aqui publico - não demonstrativas do intenso trabalho fotográfico que eu e o Tiago fizemos desde as 5 horas da manhã até às 20 da noite de há cinco anos - foram recuperadas de um conjunto de CD's dos quais apenas consigo aceder ao breve conteúdo de um...
Em cima, uma das muitas centenas de fotos do Tiago Valente, esta no Largo do Carmo (creio que tirámos, os dois, mais de duas mil); a meio, uma foto minha, no Terreiro do Paço a alvorecer, e, em baixo, eu mesmo, fotografado pelo Tiago, quando disparava a foto do meio.
Termino, levando de empréstimo uma frase de Zeca Afonso lida hoje no Poesia Distribuída na Rua e, por fim, um poema do Grande Mestre Jorge de Sena. "Para se ser cidadão era necessário mais alguma coisa do que meter um voto numa urna."
«NÃO, NÃO, NÃO SUBSCREVO,...»
(JORGE DE SENA)
Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas - armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos que
irão secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de falácia imensa.
E todos eram povo e em nome del' falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e à inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do país no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois que do lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Africas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o Otelo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocrata do oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio o navegante intrépido).
Que a esquerda nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa - defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha)
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com firmeza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte.
Não é tempo para tratar de poéticas agora.

Santa Bárbara, Fevereiro de 1976
(aniversário de uma tentativa heróica de conter uma noite que duraria décadas)
(de Quarenta Anos de Servidão, 1979)

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Sexta-feira, Abril 24, 2009

Estou convencido de que a prova de que somos melhores do que os espanhóis é que não somos espanhóis...

(... e temos a melhor parte da Península...)
Parabéns à benfiquista Telma Monteiro, campeã da Europa há segundos!

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Anno IV - O Frontispício

Como prometido, foi assumido no decorrer desta madrugada o novo cabeçalho. No entanto, o que os estimados leitores matinais aqui verão certamente não é ainda o frontispício definitivo, que será aprimorado ao longo do dia.
Numa super-produção para o Caderno de Corda, os meus queridos amigos Pedro Almeida Pereira e "Sir Giant" (execução em Flash), Michael Cavero de Carondelet (criação e conversão do logótipo final para fundo negro) e Tiago Pereira (realizador do videoclip original de "História de Um Vinho Azedo", dos Baby Jane) merecem um agradecimento muito especial. Eu, que conceptualizei a coisa e editei o vídeo, tenho a perfeita noção de que sou um chato da pior espécie (Pedro e Tiago "SG", obrigado mesmo!). A vossa contribuição honra excepcionalmente este blogue.
Que este seja mais um passo em frente nos quatro anos de publicação do Caderno de Corda, além de um óbvio presságio do lançamento do EP "História de Um Vinho Azedo", dos Baby Jane. Este cabeçalho aqui permanecerá até ao próximo dia 27 de Março, quando se celebra o quinto aniversário do Caderno de Corda. E por falar em aniversário, muitos parabéns ao candidato Paulo!

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Quinta-feira, Abril 23, 2009

É hoje, pela noite...

que o Caderno de Corda assumirá o cabeçalho definitivo deste quarto ano de publicação...

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Domingo, Abril 19, 2009

Oxidável

Estou feliz por sentar-me a teu lado;
faz-me sentir especial.
Acho-me um extraterrestre quando lavo a loiça,
vestido com a minha pele.
Por vezes dou melhor pelo arrepio do tempo a passar
que pelo frio sorrateiro, esgueirado por uma fresta
desta janela mal calafetada.
O inoxidável substituiu a madeira,
mas ainda não se descobriu a cura para o oxigénio.
Depois olho para a Jane, que é preta,
e percebo que afinal não sou um extraterrestre,
ainda que o pareça,
mesmo vestido com esta pele.
Após a dor, solidão.
Num dia bom ainda dou por mim a pegar no telefone
para te contar as novidades.

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Sexta-feira, Abril 17, 2009

Para a semana é que é...

Depois de mais um serão de volta do Flash, depois de softwares e downloads tantos, devo adiar a publicação do cabeçalho definitivo do Anno IV para a semana que vem. Gabo a paciência de santo do meu querido amigo Pedro Almeida Pereira e, apesar do atraso, estou confiante de que este ano vamos ter uma coisa bem catita, nunca antes vista no universo cordiano.

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Quinta-feira, Abril 16, 2009

Terça-feira, Abril 14, 2009

Desvio

O homem ama porque o amaram;
ama como o amaram.
Do mesmo modo, escreve sobre o que conhece;
inspira-se no que lê.
Assim, inscrevam-se escapes e catalisadores;
pára-choques e amortecedores;
carros de todas as cores
- ecológicos e verdes motores!
Elogiemos os esforços dos grandes senhores
da indústria-mor dos mecânicos lavores,
de terra e mar novos amigos,
por na sua imensa fúria e fragor
serem agora verdes os intentos,
como se verdes fossem os plúmbeos campos
de venenosos vapores outrora romanos,
bebidos à loucura de chumbos antigos
dos ventos apenas menos inimigos.
Falemos da crise pela manhã,
entrados na pastelaria.

- E a sua crise? Está boazinha?
- Ah!, vaissandando com o pão de cada dia.
Já estamos habituados, não é assim?
- Sempre vivemos em crise, é verdade,
e a sociedade tem de ser protegida...
- Contra os malefícios da individualidade?!
Essa é boa; é de uma música!
Os espanhóis é que a têm bonita!

E, nisto, uns são acessórios; outros sobressalentes,
e não há quem lamente sem nozes ter dentes;
não há quem queira que sejamos nós os portugueses...
Entretanto, inscrevam-se monitores e microfones;
controladores e amplificadores, motorizadas, bambolinas!;
cortinas de veludo vermelho, cicloramas e Xspots;
hazers, torres, e as cortinas abertas à alemã ou à grega,
fazendo lembrar meninas ladinas à boca de cena.

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Terça-feira, Abril 07, 2009

Cabeçalho definitivo só para a semana...

Por motivos incontornáveis, informo os estimados leitores de que o cabeçalho definitivo que marcará o quarto ano de publicação do Caderno de Corda só estará concluído ao longo da próxima semana. Mantém-se assim o frontispício provisório.

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Sábado, Abril 04, 2009

Estou a precisar de...

escrever uma ou duas letras para umas canções. O Trigo ou o Rui é que me podiam dar uma ajuda... Posso enviar esquissos - não em A4, mas MP3.
"He who forgets
will be destined to remember..."

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RTP Rules!

Chego a casa e, na RTP2, está a rolar Pearl Jam a toda a brida - um corridinho de músicas tocadas, cada uma delas, numa major city de cada um dos estados norte-americanos. Long live RTP... and Pearl Jam, of course!

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Quinta-feira, Abril 02, 2009

De Pé

Sou o melhor que alguma vez terás
- sou o que alguma vez terás.
Sou um pé-de-meia descalço à beira-mar;
sou descalço, sem meias, de pé a olhar o mar;
sou de pé descalço, sem pé afogado em mar alto.

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Segunda-feira, Março 30, 2009

"Arte é tudo aquilo que se faz com amor" (Jeremias Cabrita da Silva)

Sexta-feira, Março 27, 2009

Quatro anos de Caderno de Corda



Agradecendo a extrema gentileza da Mariana Vilela, das Alminhas e do excelente Xukebox, acabei por ficar-me por este "Happy Birthday" ao vivo, do Grande Mestre Stevie Wonder, verdadeiramente happy e com um groove do caraças

Este ano não faço dialéctica - muito menos futurologia! Estou entre muitos quilómetros em poucos dias, The Strokes, trabalho, Beirut, facturas, dispersões, reflexões, instrospecções e arquitecturas mentais ao volante, e, claro, Radiohead e Portishead. Admito renovar em breve o stock da audioteca MP3. Mesmo muito cansado, não almejo grafar palavras mediúnicas de outrora. Antes de vir para casa, ainda dei boleia ao Rui, a ver se finalmente versávamos sobre a coisa poética, e versámos, mas eu tinha de escrever-vos antes que o ponteiro batesse o amarelo e o Rui tinha agendada uma consulta matinal no tira-dentes.

Como vem sendo apanágio do Caderno de Corda, o aniversário assinalado a 27 de Março pressupõe a recriação do cabeçalho - um trabalho feito, ano após ano, com a imprescindível e preciosa colaboração do meu querido amigo Pedro Almeida Pereira. Este ano, porque estive inevitavelmente assoberbado, não pudémos reunir esforços durante mais do que escassas horas, e o imperfeito cabeçalho que hoje se apresenta é meramente temporário, até que eu e o Pedro possamos concluir a projecção idealizada do frontispício que encabeçará o Caderno de Corda ao longo do próximo ano.

No entanto, o tema central está desde já desvelado: o EP "História de Um Vinho Azedo", que os Baby Jane estão para lançar há tempo demais - mas nunca tarde demais! Se antes o cabeçalho dinâmico fechava com a capa do livro "Pôr a Escrita em Noite", publicado no ano passado, agora encerra, sob fundo negro, a ilustração de capa de "História de Um Vinho Azedo", com a também imprescindível contribuição do meu amigo Michael Cavero. Quer isto dizer que o famigerado EP dos Baby Jane há-de sair, mesmo que a ferros, e certamente dentro de um prazo razoável.

No entanto, ainda que eu não seja de entusiasmos fáceis, estou convencido de que o Davi há-de publicar o segundo livro ao longo deste ano cordiano, iniciado e findo a 27 de Março. O Davi até é um gajo porreiro. Também havemos de ir a Vianna, e o bife à Vianna é uma categoria bracarense de 8,5 euros. A corda do caderno...

Um agradecimento inefável deste que se enternece pela Vossa amizade.

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Anno IV - O Jantar

Não fugindo à tradição, de modo semi-aleatório: Rui, Félix, César, eu, Johnny, Pinto e Joana, além do Gustavo, que, perante o solidário dever de uma futebolada corporativa sem suplentes, teve de sair mais cedo. O Paulo esteve mesmo quase a chegar e o Trigo, apesar de estar em Los Angeles, preferia estranhamente ter estado connosco em Campolide
Na madrugada alta de ontem, chegado ao quarto de hotel, em Braga, pensei em adiantar trabalho; escrevinhar uns nacos ricos de prosa e desde logo adiantar "trabalho", prevendo que hoje já não estivesse capaz. Mas não se trata de trabalho; isto não é, de todo, trabalho, e tem de ser escrito na hora, com dislexias, lapsus mentis e tudo.
Cerca de mil quilómetros em pouco mais de um dia, trabalho e horários apertados não chegam, à quarta edição d' O Jantar, para me demover do cumprimento escrupuloso desta iniciativa, que é, não haja dúvida, um brinde à amizade, ao reencontro, à certeza do que foi, do que está para vir - do que é. Um brinde nosso; não do Caderno de Corda. Mas um brinde que muito honra este blogue - mais: que lhe confere a autenticidade e o fito das coisas partilhadas e vividas. Em suma, a efeméride já não passa sem concretização à mesa; o Caderno de Corda já não se faz sem isto.
Por motivos profissionais e afazeres tantos, este ano tive dificuldade acrescida - mais ainda! - em fazer preparativos. Tivemos duas estreias - Félix e Rui - que, no futuro, se querem honorárias, e uma mão cheia de ausências lamentadas - pela primeira vez não tivemos sequer um dos irmãos Tomás. Por falar nisso, Tommasino, is anybody out there?
Apesar da crise, notámos uma Valenciana inflacionada - há que ser dito! -, mas o Gustavo encontrou a solução, com engenho que eu diria próprio de um marketeer de primeiríssima água. Não há almoços grátis, mas podem haver jantares!...
Aposto que o quinto ano será de arromba. Cinco anos de blogosfera deviam dar bodas de prata.
Para o ano há mais, com frangos, relva, cartola e coelhos. No mesmo sítio, à mesma hora.
Assim seja.

KJ, o impulsionador d' O Jantar, deixa-se fotografar quando seduzido por uma perna de frango, momentos antes de partir para uma futebolada infernal de 40 minutos sem substituições à qual não poderia faltar

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Terça-feira, Março 24, 2009

De partida para Braga, com regresso marcado à conta para "O Jantar IV"...

Domingo, Março 22, 2009

Uma semana passada de noites como...

Terça-feira, Março 17, 2009

Anno IV - O Jantar (convocatória)

A História repete-se e, apesar da algo desacelerada publicação do Caderno de Corda neste último ano, reedita-se sobre sólidos alicerces, mesmo dia, hora e local ano após ano, o IV jantar anual comemorativo do aniversário deste blogue - antes de mais, o jantar pretextual da exaltação da amizade.
Assim sendo, serve este post para convocar a presença de amigos e estimados leitores desta casa blogosférica no mítico restaurante-churrasqueira "A Valenciana", em Campolide, às 20 horas do próximo dia 26 de Março, quinta-feira, sendo que o aniversário propriamente dito cumpre-se a 27 de Março.
Pelo quarto ano consecutivo, teremos à mesa o melhor frango de churrasco de Lisboa, aquele esparregado incomparável já apelidado de "relva" em edições anteriores, boas vibrações e, quem sabe, algumas novidades que tratarei de tirar da cartola.
Veja-se na caixa de comentário do post de 16 de Março de 2005 - “Anno I – Exortação aos estimados leitores” como tudo começou. ASSIM foi. Assim seja.

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Segunda-feira, Março 16, 2009

Domingo, Março 15, 2009

O que tem o pá?

- O que tem o pá?
- Tem paz, tem palavra,
tem País, tem pai.
- O que tem o pá, Lisboa?
- O pá tem pó,
tem Portugal,
e o pó tem terra,
a terra do pá,
da pá e do pó
da terra,
da gente daninha,
de sonhos sem guerra.
Sonhos, pá!
Sonhos de paz,
sonhos escavados pela pá, pá!
Sonhos atirados para o monte de terra
onde se ergue o meu País
e o meu pai se enterra.
- O que tem o pá, pá,
senão tu?

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Sexta-feira, Março 13, 2009

Terça-feira, Março 10, 2009

Talvez XVIII

Talvez um círculo seja um quadrado redondo

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Segunda-feira, Março 09, 2009

Talvez XVII

Talvez as palavras cheguem para dizer que não chegam

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Sábado, Março 07, 2009

Cegueira

Dois olhos castanhos, videntes
cegados por um só olho azul índigo;
outrora ternos e inocentes,
enfraquecido o furacão do meu peito,
dois olhos castanhos de curto alcance
cegos à luz do terceiro transe
tristemente adormecido.

Dois olhos castanhos que não te viram;
não foram ternos, compassivos.
Olhos estranhos por onde entraram
desgostos e pesadelos cativos,
e por onde saíram raios e coriscos
que chamuscaram as tuas pálpebras.

Dois olhos castanhos tão raros
como as lágrimas que choraste;
tão vulgares como os sorrisos
que cobiço e acabo por desprezar.
Olhos tristes de antanho
estes olhos cegos por um azul índigo,
de invisão vazios como o ar.

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Quarta-feira, Março 04, 2009

Capa da 28.ª edição de "Pimentinha", Abril de 1979. Daqui.
(Acabaram-se as tranquilas noites de sono, Pimenta...)

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Terça-feira, Março 03, 2009

Mais uma "sobrinha"

Nasceu hoje, às 16h, com 3,650 quilos e 51 centímetros, a primogénita do meu Irmão João Pimenta e da Sara. Chamar-se-á Mafalda ou Clara. Voto em Mafalda, "a contestária". No entanto, se for Clara, dobro os inquantificáveis votos de felicidade aos pais. O pai babado dizia-me assim, numa sms: "A minha opinião imparcial é que é lindíssima." É de certeza. Mas a beleza também está nos olhos de quem vê. E o casal Pimenta tem-na, muita.

Aquele Abraço de Sempre, Pepper

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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

"Threesome - Back to Front", de Taiche

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Poemetos da Impunidade n.º 5

Diziam que sabiam quem era
a doce Susana da pastelaria
e o Abílio dos jornais.
Namoriscaram, em tempos,
como à antiga se fazia.
No fundo ela sempre quisera
dois homens na cama, numa fantasia
que o pobre, púdico, nunca lhe realizaria.
Mas o bom do Abílio é que queria...
-*-
"A impunidade é segura quando a cumplicidade é geral."
(Marquês de Maricá)

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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Sir Giant, por mérito próprio



Há tempos que ando para aqui publicar o recente videoclip de "Doce Cereja", single de pré-lançamento do álbum "Expectations & Illusions", do meu querido e velho amigo Tiago Rocha... ou deverei dizer Sir Giant? Pois bem, de hoje não podia mesmo passar, até porque tive acesso há pouco à biografia do músico, ainda fumegante, pela pena do jornalista Hugo Simões... Assim, colhendo dois coelhos de uma só cajadada, publico acima o videoclip e, em baixo, a biografia panegírica, acabadinha de sair do forno.

-*-

Sir Giant Bio

Talento, muito talento. Numa palavra seria esse o qualificativo para o Tiago, feito Sir Giant por uma vontade inabalável de dedicar-se de corpo e alma ao que mais gosta e melhor sabe fazer: música.
Tinha apenas 12 anos quando, em 1991, o irmão Paulo lhe ofereceu uma bateria. Em 1993 formava a primeira banda, então punk, para depois integrar alguns grupos com sonoridades distintas, entre o hardcore, o rock e o reggae/ska. Fez-se um exímio baterista, mas a experiência de muitos ensaios permitiu-lhe o domínio de outros instrumentos como a guitarra, o baixo ou as teclas.
Empreendedor e laborioso, com profundos conhecimentos do meio, desde o palco à engenharia de som, Tiago inicia em 2001 alguns projectos totalmente insuflados da sua criatividade e iniciativa. Compunha, escrevia, tocava e gravava os temas de grupos como Maddog ou Dub Hole Connection, no qual se estreia como vocalista.
Um ano depois, construiu ele próprio um estúdio de gravação, onde viria a travar conhecimento com músicos e pessoas que mais tarde o ajudariam a lançar-se como Sir Giant. É nesta altura que Tiago “Carraça”, talvez cansado de “puxar a carroça”, diz para si mesmo: «Componho, escrevo, gravo, agencio e faço o design… tenho de ser o vocalista!»
As canções que viriam a compor o EP “05” estavam a tomar forma, com um Tiago faz-tudo à Eagles, assumindo as despesas da bateria e da voz em simultâneo. Mas o projecto crescia a olhos vistos e não tardou até que a banda Sir Giant se formasse a ponto de libertar o artista apenas para as tarefas da interpretação vocal, olhos nos olhos do público.
É assim que, em Maio de 2005, é gravado e produzido nos Generator Music Studios o primeiro EP de Sir Giant, lançado em Setembro do mesmo ano. Perfeccionista, multifacetado e perseverante como pouquíssimos, Tiago fez, uma vez mais, tudo: além de ser autor singular e arranjista de todas as canções, demonstrou desempenhos notáveis na bateria, no baixo, nas guitarras e na voz.
Alguns concertos após o lançamento do EP “05”, e também graças à divulgação no seu site oficial, todo ele concebido pelo autor, Sir Giant chegou à playlist da Antena 3 e a música “I’m 25” subiu mesmo, em Dezembro, ao TOP 3 das mais votadas pelos ouvintes daquela rádio, tendo sido uma das mais tocadas nesse ano. Aliás, “I’m 25” integrou a banda sonora da terceira série dos Morangos com Açúcar e a compilação “Reggae – O melhor disco de sempre”, da editora EMI, tornando-se videoclip habitual na MTV portuguesa e merecendo a aposta de outros canais, como a SIC Mulher, a SIC Radical ou o Extreme Sports Channel, que fez uso de alguns temas para a sonorização de programas.
Entretanto, depois de participações e entrevistas várias em programas de TV e rádio, ou de abrir um concerto da conhecida banda de reggae Zion Train, Sir Giant viu reconhecido o seu trabalho no final de 2005, quando venceu o concurso europeu de música da Levi’s, que o levou até aos míticos estúdios de Abbey Road, Londres, para gravar o singleLife is Going Down”. Os trabalhos foram acompanhados de perto pela MTV, que entrevistou Tiago em Londres para o programa MTV Buzz, e pela Antena 3. Alguns meses depois, “Life is Going Down” é publicado no Japão pela editora One Big Family Records, na compilação “One Big Family VA3”.
No Verão de 2006, actuou no palco Positive Vibes do Festival do Sudoeste com transmissão em directo na Antena 3, e é novamente entrevistado pela MTV. Já em 2007, inevitavelmente insatisfeito com a indiferença ou retracção das grandes editoras, parte para a Califórnia, EUA, para prosseguir a aprendizagem e iniciar a composição do álbum “Expectations & Illusions”. Ao longo de três meses, Sir Giant actuou em bares norte-americanos e teve boa aceitação no mercado musical mais competitivo do mundo. Admitindo que «não é fácil ser músico em Portugal», Tiago gostava de regressar aos States, porque «quem acredita em si mesmo acaba por atingir os seus sonhos».
E é de sonhos que “Expectations & Illusions” é feito, mas também de certezas e muito trabalho. Com lançamento marcado para Março de 2009 pela Sunny Spot Records – editora criada por Tiago, que faz também todo o trabalho criativo de design e marketing -, o álbum teve no single “Doce Cereja” um pré-lançamento de sucesso, com novo rol de apresentações na TV e nas rádios. “Doce Cereja”, aliás o único tema de Sir Giant cantado em português, integra desde já a banda sonora da quarta série dos Morangos com Açúcar e o excelente videoclip tem transmissão regular na MTV.
Com um sabor adocicado a cocktail jamaicano de rum bebido à beira-praia em Cascais ou São João do Estoril, onde Tiago vive, as canções não saem do ouvido e a produção é apurada e com sonoridade e nível internacionais. Hoje, entre bandas e músicos preferidos de Tiago estão Sean Paul, Seeed, Beenie Man, Ziggi ou Cecile, mas no passado somam-se incontáveis audições à música de nomes como No Doubt – a banda preferida -, Sublime, Iron Maiden, Foo Fighters, Guns n’ Roses, Sepultura e, claro, last but not least, Bob Marley.
«Para mim, o melhor da música é partilharmos um mesmo sentimento em simultâneo – rirmos, chorarmos, dançarmos todos juntos. É isso que tento fazer», revela. Se ainda não ouviu falar de Sir Giant vai estranhar quando escutar o seu trabalho. Chama-se Tiago Rocha, tem 29 anos e é mesmo um senhor gigante.
Por Hugo Simões, jornalista

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Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Talvez Não Paradoxalmente Exaustão

Viste como peguei fogo ao meu cabelo.
Pois é exactamente isso que vou fazer.
Voto um protesto branco e não temo a sonolência,
o excesso, o novelo da trama cósmica que nos enrodilha.

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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Uncertainty, de Ansen Seale

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Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Acho Que Não Sei

Acho que não sei
se isto é o cúmulo da incerteza.

Continuamos a percorrer a ponte do amor,
julgando saber o que o outro pensa,
mas nunca fiando,
depois das injúrias.

Ainda assim, vou depressa
sobre a ponte do amor,
se quiseres.

É um pau de dois bicos;
bifurcação para os precipícios
do istmo da nossa vocação;
cordão umbilical que faz sangrar a existência,
esta ponte entre-os-rios pequena-mortal
que atravesso a uma palavra tua,
ao sabor do zéfiro do amor.

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Domingo, Fevereiro 15, 2009

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Nunca Nada

Nunca ter feito algo brilhante
é como ser pai ausente;
não gostar do próprio rosto;
querer mergulhar de cabeça numa piscina
e acabar por saltar a pés juntos,
como uma menina.

Nunca ter feito algo brilhante
é haver mulheres sem prazer,
é ser judeu por circuncidar,
é já ser adulto e não ter colado macacos
debaixo da mesa da sala de estar.

Já nunca ter feito nada brilhante
é precisamente tê-lo feito.

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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Poema Escarlate reeditado para o talismã Mantorras

Já que há tanto não publico, ainda emocionado pelo feito do talismã Pedro Mantorras e na esteira de um rubro post sentido, segue, pela primeira vez nesta casa blogosférica, uma reedição de um poema, ligeiramente adaptado para o efeito. Originalmente publicado AQUI, o "Poema Escarlate" faz parte de uma série de poemas "pletóricos" dedicados ao Glorioso e foi escrito em Abril de 2006, antecipando um embate de gigantes na Champions contra o Barcelona, no qual Mantorras acabou por infelizmente não participar, dando Koeman lugar a Marcel...
O Benfica é Mantorras; o Benfica é inexplicável; o Benfica é mística! Ao "homem queimado" mais acarinhado do planeta!

Poema Escarlate

Quem fala de futebol e não sente,
não sabe o que faz sonhar a pobre gente,
perdedora da vida sempre,
vencedora quando o Benfica vence.

E então somos todos contentes
neste recanto do mundo impaciente,
capazes de, juntos, sermos maiores que o mundo,
maiores no golo, num uníssono profundo.

(O que traz a poesia ao futebol,
senão nós, pequenos gigantes,
que acendemos um sol quando joga o Benfica
e esquecemos os lúgubres prantos?)

Sejamos grandes como dantes!,
que esta página urge ser escrita!
Sabemos ser pobres mas infantes
da Descoberta mais bonita:

Que somos capazes
de escrever a História
contra os maiores ventos e tempestades,
sobrevivendo aos escolhos,
atrevendo-nos em glória.

Já fomos jovens rapazes
mais ou menos loquazes
em palavras ou actos,
de nós todos memória.

Tivemos o mundo colado aos pés;
somos o Brasil da Europa.
Driblamos dois; driblamos três,
fazemos do Mantorras anjo-negro-cometa
que hoje pode chutar uma estrela,
fintar sem aviso todo o planeta!

Dá na anca, dá no peito,
beija a bola no joelho;
dá de bunda, dá com jeito,
Mantorras, faz chorar de alegria o País
no mundo inteiro!

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Domingo, Janeiro 25, 2009

Dia especial para os benfiquistas

O dia 25 de Janeiro é de felicidade e tristeza para a família benfiquista. Felicidade porque nesta data nasceu, há 67 anos, o Rei Eusébio, e tristeza porque, há cinco anos, faleceu Miklos Fehér no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, com apenas 24 anos. Miki teve ainda tempo para, nesse jogo, fazer a assistência para o golo que deu a vitória ao Glorioso. Eu estava a assistir ao jogo em directo na TV. Na altura vivia em Benfica e posso afirmar que a minha vela foi das primeiras a brilhar, nessa noite, à entrada do Estádio da Luz. O 29 será sempre teu, Miki.

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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Cidades Perfeitas

Inventamos problemas, pensando
em soluções que já temos.
Criamos riqueza alicerçada no pranto
da pobreza dos extremos.

Amando temos e perdemos, egoístas
pela posse de alguém.
A mando fazemos conquistas
que são de ninguém.

Que crise é esta?, camaradas,
se produzimos o mesmo
e consumimos à garfada

esta empada europeia de Jerusalém,
insossa como creme de nada
- e isto de estar vivo não pode acabar bem.

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Sombras

Noite fria, coração gélido, mãos quentes,
prestes a agarrar uma utopia e zarpar num sono hipnótico
de sombras e luz inevitável, ou sombras nem veria.
Na certeza de que o amor não baterá à porta,
imagino uma mulher que sofre pela minha ausência
e antecipo a convulsão de lágrimas pela minha morte,
pairando sobre um monte ermo de cabeças.
Mas a mulher, se existisse, não me conhece sequer
- lamenta pela ausência em si mesma,
e eu nada fiz que a fizesse sorrir.
Essa mulher não anseia o que desconhece
e nunca imaginará o meu amor.
Essa mulher está ao sabor das desventuras do destino
e é provável que se dê a um homem que amanhã reconhecerá
de um passado recuperável, agora desesperado, longínquo.
Não há casais perfeitos, e o amor é prisão,
perda, dor e até a mais atroz solidão.
Enquanto escrevo, essa mulher dorme há pouco,
depois de desenhar uma camisa de noite
deixada cair por um braço lânguido de sombra
na parede branca do quarto onde adormece só
há dois meses.

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Terça-feira, Janeiro 20, 2009

A minha nova namorada

Nascida a 7 de Dezembro passado, a minha nova namorada é muito morena, tem invulgares olhos azuis e é a minha companhia desde há umas horas. Conheci-a por intermédio do meu Irmão Pinto, que por sua vez ficou também com uma das irmãs da minha nova namorada.
Na verdade, eu esperava ficar com um dos quatro irmãos da madame, mas fui surpreendido quando me apercebi que já todos haviam sido dados, restando apenas fêmeas. Das restantes, esta marota veio desde logo ter comigo, cheirando-me, embrenhando-se nas minhas botas, acabando por se sentar no meio dos meus pés. Estava escolhida... ou terei sido eu o escolhido? No entanto, porque o macho se chamaria Benfica ou Camões, não tenho ainda nome para a pequena. Talvez venha a ser Bica... ou... Pitrécula... Aceito conselhos, mas tem de ser rápido.
Neste momento, a jeitosa está aninhada entre a minha barriga e o meu peito, debaixo da camisa. Só aqui é que ela está bem. Não pára muito tempo na caminha e queixa-se se não lhe dou toda a atenção. Fez um xixi grande mal chegou a casa e um segundo, mais pequeno, mas sempre longe de tapetes e afins. Auspicioso. Começa assim uma nova aventura; uma vida a dois que se espera tão feliz e longa como aquela vivida com o meu querido Fidji.

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Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

A Alfabetização da Memória - 10 anos com Tiago Pereira

De 22 a 25 de Janeiro na Fábrica do Braço de Prata – Sala Visconti

O meu querido amigo Tiago Pereira, realizador do videoclip de "História de Um Vinho Azedo", dos Baby Jane, faz vídeo há 10 anos. O Tiago trabalha essencialmente na alfabetização da memória, com necessidade vital de documentar, preocupado com a tradição oral e com a ponte geracional, passando boa parte do seu tempo a fazer recolhas vídeo por esse Portugal fora, para depois reconstruí-las. Alguns dos seus vídeos já receberam prémios nacionais e internacionais. A programação que abaixo proponho celebra os 10 anos de trabalho do Tiago, mostrando alguns dos seus filmes mas também a sua actividade como VJ e vídeo-músico, bem como o trabalho de outros que com ele laboraram e que de alguma forma constituem o seu universo.

PROGRAMAÇÃO

22 de Janeiro, quinta-feira, 18 horas
Vídeos

- "Quem canta seus males espanta" (9´, 1998)
Vencedor do Prémio: Melhor realizador português- Encontros de Cinema Documental da Malaposta
- "O que é a Imagem?" (10`, 2001)
Projecto pro-memória, co-realizado com Raquel Castro:
- "A arte da Memória" (14`, 2004)
- "Os povoadores do tempo" (15`, 2004)
- "Disparem à vontade" (15`, 2005)

21.30

- Conversa com Raquel Castro
- "Paisagens Sonoras"
- "Soundwalkers", de Raquel Castro

23 de Janeiro, sexta-feira, 18 horas
Vídeos

- "11 burros caem no estômago vazio" (26`, 2006), vencedor dos prémios: melhor curta-metragem Portuguesa no Doc Lisboa 2006 e melhor filme etnográfico no Dialektus Festival de Budapeste 2007
- "Meta-" (25`, 2005)
- "Folk-Lore 01 Danças e Igreja" (11`, 2008)
- "Folk-Lore 02 Regadinho" (5`, 2008)

22 horas

- Bfachada Tradição oral contemporânea (60`, 2008)
- Concerto com Bfachada (www.myspace.com/bfachada)

24 de Janeiro, sábado, 18 horas
Vídeos

- "Manda Adiante" (25`, 2007)
- "Sonotigadores de tradições" (25´, 2003), vencedor do Grande Prémio Ovar Vídeo 2003
- "Ao alcance de todos" (25`, 2008)
- "Aniki na Casa" (52`, 2008)

22 horas

- Conversa com membros da Associação Pé de Xumbo e Alexandre Matias da Associação Tradballs
- "Arritmia" (44`, 2007)
- Baile Concerto – OMIRI (www.myspace.com/omirisound)

25 de Janeiro, domingo, 15 horas

- Mesa redonda – "As recolhas videográficas e a arte contemporânea", com Tiago Pereira, José Barbieri e Domingos Morais
- Apresentação do projecto MEMORIAMEDIA, por José Barbieri (http://www.memoriamedia.net/)
- José Craveiro - Contador de Histórias

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Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

I'm Still Here

Minguante. DAQUI

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Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Talvez XVI

Talvez também a lua seja mentirosa

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Talvez XV

Talvez seja melhor nunca que tarde

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Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

Fado Morse - nova canção "cordiana" a encetar 2009



Davi%20Reis


Fado Morse é a mais recente canção que compus e gravei - a segunda que se encontra no player acima. Posso dizer que é triste - talvez desajeitadamente ao sabor temível de um ano de anunciada crise e desejos de prosperidade. Apesar de pouco conseguida, deu-me água pela barba. Tive inúmeros problemas com o cartão de memória utilizado na gravação - sempre caseira, claro está, com o meu muito querido four track digital Micro BR, da Boss.
Como eu escrevia, o cartão empancava com erros sucessivos como "drive busy" ou "card read error" a partir do momento em que tencionava finalizar guitarras e passar às vozes - estamos a falar de cerca de 10 a 12 vias até então. O cartão SD de que vos falo, e que não recomendo veementemente, é um Lacor. Aqui deixo, pois, a nota como publicidade negativa - dever de consumidor. No entanto, pela positiva, acontece que, em acto de desespero e impotência, depois de tentadas todas as artimanhas humanamente possíveis de enganar a máquina, decidi-me pela compra de novo cartão. Pedi o melhor e recomendaram-me o SanDisk Extreme III. Cerca de 19 euros. Posso dizer que o comprei, terminando o trabalho num ápice e muito eficazmente, sem quaisquer falhas ou erros que me obrigassem a recorrer a backups guardados no PC.
Lamentavelmente, a música, cujas gravações foram retomadas recentemente, ficou a perder - e muito - com a minha justificada impaciência, tendo sido finalizada já em desespero de causa, na tarde de dia 30, antes que uma tragédia de bits esbaforidos ocasionasse nova rotura incontornável da gravação digital. Como estou ainda cansado da noitada, além de com alguma azia sem dúvida proporcionada pelo consumo moderado de álcool, deixo-vos a letra abaixo e em boa verdade vos digo que estou à espera de críticas. Relembro-vos, no entanto, que não sou cantor nem pretensão a isso tenho. Aliás, as vozes, por serem a última coisa a gravar, foram de facto "os instrumentos" menos cuidados nas gravações daquela tarde de 30, aparte solitárias e nocturnas sessões de phones nas orelhas e olhos postos no ecrã minimal do Micro BR. Este é, pois, um esboço de canção que podia estar melhor, mas que também não me envergonha.
Note-se que "Fadomorse" é o nome de um grupo nacional e de um dos temas do mesmo grupo, que, aliás, se recomenda. Descobri-o agora, depois de "googlar" as palavras "fado morse". Espero que a rapaziada não fique sentida comigo... Pode ser que a SPA faça vista grossa, por o meu título separar as duas palavras. Devo ainda referir o nome de José Carlos Ary dos Santos, um dos meus poetas preferidos, de quem adaptei uma frase que o poeta escreveu para um dos fados interpretados por Carlos do Carmo no álbum "Um Homem na Cidade".
* Fado Morse *

Bem sei,
não valem mais que dois pintores
os quadros que fotografei,
as paisagens e as flores
- cumes agudos como as dores,
pontiagudas, celestes e puras
como o sol de Verão.

Além...

Dei
por um quadro dois pintores,
paisagem que fotografei,
em moldura e a cores
- cumes agudos como as dores,
pontiagudas, nas paredes nuas
do museu de mim.

Alguém...

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Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

Primeiras horas de 2009

Armação de Pêra, junto à praia, enevoada. 7h30. Primeiro pequeno-almoço do ano, invulgarmente só: dois crepes com doce de ovos, uma "nozinha" e leite com chocolate, junto ao Forte.
Depois da festa, madrugada alta, aproveitei para fazer um reconhecimento dos locais onde na infância passei, ano após ano, as minhas férias em família. Aqui, uma foto da gelataria de sempre. Obviamente desejo o melhor 2009 possível aos estimados leitores.

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Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Talvez XIV

Talvez haja em Chelas um coleccionador de nuvens

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Sábado, Dezembro 20, 2008

Não Tenho Jantar de Natal da Empresa

Não tenho jantar de Natal da empresa;
não tenho pão, broa, vinho nem bacalhau sobre a mesa.
Também não tenho patrão que aponte um dia da minha agenda
para ter mesmo a certeza
de que pode mesmo dispor da minha agenda.

Não tenho jantar de Natal da empresa,
nem toalha sobre a mesa;
tenho casa de solteiro desarrumada e estou a jantar n' O Cisne
- por ironia, solitário, com vontade de viver intensamente, mas longe disto;
de devorar a espetada de lulas mista como se amanhã não houvesse marisco.

Não tenho jantar de Natal da empresa;
não tenho a alegria disfarçada de uma boa refeição grátis;
não tenho uma colega que ri de tudo o que eu diga,
entre tragos de vinho branco com Seven Up
e gargalhadas de Ah's abertos e dores de barriga.
Não tenho um colega que freneticamente digita
mensagens para o telemóvel da amiga.

"Vou chegar um bocadinho atrasado. Fica mal sair tão cedo. Posso ficar até às 2h, senão ela desconfia. O Carlos e o Rui vão beber um copo às Docas. Digo que fui com eles. Não há espiga."

Não tenho jantar de Natal da empresa
e quando tive fui sempre desamparado,
com algo que em mim vazio ecoava
como numa secular igreja.

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Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Baby Jane "tocam" meia música na RTP1

Quase em simultâneo com a página oficial dos Baby Jane, o Caderno de Corda mostra como foram aqueles quase três minutos televisionados do final de manhã do dia 15 de Novembro passado, quando a banda apresentou em playback, no programa Portugal Sem Fronteiras, da RTP1, uma versão encurtada de "História de Um Vinho Azedo". Keep on rockin'.

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Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Prémio Este Blog Vicia

O Caderno de Corda recebeu há largo tempo, do Rato do Deserto, a distinção inter-bloggers "Este Blog Vicia". É algo bom de receber, mas difícil de retribuir. Ou falta alguém ou fomos tendenciosos e porreiristas. Com vénia ao meu querido amigo Trigo, a quem retribuo igualmente o prémio, quero, antes da atribuição, fazer uma pequena consideração: dado que este é o prémio dos blogues que viciam, opto pelo critério simples de escolha de blogues que, essencialmente por afinidade com os autores (mas não apenas!), visitarei sempre, uma e outra vez. Assim, escolho os seguintes:

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Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Gogol Bordello in your face



O Caderno de Corda não resiste ao apelo dos estimados leitores e, em resposta à Alminha Mariana, lança uma pequena nota sobre o concerto dos Gogol Bordello no Campo Pequeno, quarta-feira passada, além de um vídeo razoável e outro muito bera - este captado por mim -, certamente lamentável de ouvir. Aliás, foi porque o som da minha captação era de tal modo excruciante que quase não publicava sequer palavra sobre o assunto. Assim sendo, aqui vai disto, sem muitas considerações.

Quando olhamos para a frenética trupe liderada pelo ucraniano Eugene Hütz, pensamos eventualmente como é que um número razoável de cromos daquele calibre foram todos parar à mesma banda, ou como serão os camarins; os despojos de tournée.

Durante hora e meia, o gypsy punk dos Gogol Bordello tomou de assalto, olhos nos olhos, uma plateia jovem e energizada pelo furacão de Leste nova iorquino com kick punk, num rodopio doidivanas e anarquista que encheu um palco simples, onde se ostentava apenas, atrás da bateria, o logo da banda.

O aracnídeo Hütz, por vezes fazendo lembrar uma personagem cómica de banda desenhada, desde logo empunhou uma garrafa de vinho, saudando o público. Com altíssima e constante intensidade, toda a banda chegava frequentemente junto do público e creio que Hütz, ao performar o velho número rock-chunga de apanhar a cuspidela para o ar, terá mesmo falhado a recepção com a boca e acertado em cheio na fila da frente.

No final, Hütz percutiu sem dó nem piedade um balde vermelho já bastante mal tratado dentro do qual estava o microfone. O último acorde da noite soou em sincronia com o estrondo do utensílio cilíndrico e do microfone baqueantes no chão, depois de atirados num gesto largo para o alto.

In your face, este concerto dos Gogol pode não ter sido o melhor do ano - a bem da agenda nacional de concertos -, mas foi decerto um dos de mais alta rotação. O defeito: ao final de dez músicas temos a sensação que o disco virou e toca o mesmo. Mas a energia está lá.

video

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Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Hoje, dentro de instantes...

Gogol Bordello,

o espectáculo mais alucinante do ano. No Campo Pequeno e à borliú. Foto DAQUI

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Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Porque decepei o meu campo de girassóis

Numa colmeia de província havia uma abelha vulgaríssima, aparentada de vespas e zangões desambiguados. Prima de formiga - chamemos-lhe Maia, se bem que o nome a exceda em simpatia -, a apis mellifera Maia procurava flores rubras, quando é sabido que toda e qualquer comum abelha poliniza especialmente flores descoloridas e pardacentas - salvo excepções justificadas.
Tinha cinco olhos a abelha Maia - três pequenos no cocuruto e dois compostos e esbugalhados à frente. Era desconfiada - logo, também merecedora de pouca confiança. Incrivelmente, a lígula competia em comprimento com uma protuberância adunca, ligeiramente abaixo dos dois olhos esbugalhados, a meio, a fazer lembrar um nariz - que, como o estimado leitor saberá, não compõe a anatomia das abelhas. Ainda que não pudesse ser rainha, a operária Maia orgulhava-se da invulgar protuberância e até de partilhar os mais vis defeitos de espírito das abelhas vulgares - que os têem!, mesmo que todos inestéticos, os defeitos -, mas a verdade é que a presunção lhe dava um estranho élan.
Maia vinha ao quintal da minha casa diariamente. Como as abelhas vulgares, fazia, em média, 40 voos por dia, visitando dez flores por minuto. Não sei se a vi entre tantas abelhas dessas, vulgares, que sobrevoam numa névoa o colmeal, passando as aventureiras para cá da sebe, mas assim suponho. Por vezes, pareciam zunir à porta de casa. É possível. Nunca então abri a porta. Mas, em tantas oportunidades, nenhuma alguma vez me ferrara o espigão, tão doce era o pólen e o néctar dos meus girassóis. Julgava que as abelhas me respeitavam pelos girassóis, mesmo a mais vulgarzinha delas - e, na colmeia, eram mais de 80 mil as congéneres daquela abelha ordinária a que chamámos Maia.
Certa noite amena, saí até ao alpendre enquanto bebia café. Observava o céu estrelado e notei um zumbido que parecia comandar a maviosa orquestra do nocturno fundo sereno. Deixei-me ficar mais um pouco, entre o aroma doce do café e a acalmia apaziguante do momento.
Voava Maia de flor para flor, de estrela para estrela, atarefada, sem tempo para a tristeza, quando me terá pressentido, a escassos metros dos primeiros girassóis. Sem resignar-se à climatização perfeitamente disciplinada da colmeia, com o sacrifício dos que fecundam no azul e morrem, aquela abelha mesquinha achou-me inimigo e apontou o ferrão ao meu nariz, no qual injectou furiosamente o seu veneno acre. Como se tivesse sentido um choque eléctrico de alta voltagem que pelas narinas me percorreu o crânio, pude apenas vê-la quedar-se um segundo sobre o meu nariz, olhando-me corajosamente com aquelas ventas de abelha odiosa, salientadas pelo seu próprio quase-nariz, tão invulgar nas abelhas. Espalhei o café sobre a roupa e rasguei o suave som do silêncio com um grito lancinante. Em fuga, a operária Maia voou também ela atordoada, depois de deixar parte do intestino agarrado ao ferrão, que prontamente retirei da ponta do meu nariz com a ajuda de uma moeda.
Sabia que Maia morreria um ou dois dias depois; sabia que à vingança nem sempre segue o arrependimento. Assim, pelos louvores da virtude, porque a verdadeira vingança é doce como o mel para o escol das abelhas, decepei todos os girassóis na manhã do dia seguinte, desfigurado ainda. Qual Calimero, chorei pelos girassóis durante um mês e meio - o tempo médio de vida de uma abelha operária -, mas não mais fui incomodado por abelhas dispostas a perder a própria vida por um impulso de maldade.

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Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Escrito em 1802...

"I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the american people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around the banks will deprive the people of all property until their children wake up homeless on the continent their fathers conquered."

Thomas Jefferson, 1802

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Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Engenho de Ida

Na era espacial era uma vez um velho avião com combustível
que voava quando todas as naves estavam desmanteladas em terra
a aguardar por mais mil anos de ciência.

Depois da Grande Depressão a paz absoluta reinava
sob um manto nu de homens desmamados,
recurvados junto às poças da catástrofe tecnológica.

Havia uma mulher que receava embarcar nesse avião
para onde os lagos eram translúcidos,
porque o remendo com asas podia despenhar-se.

Havia um homem que sonhara toda a vida
com lagos translúcidos e rios truteiros
na outra ponta distante da rota.

O combustível do avião era o bastante para a viagem de ida.

A mulher tinha receio da morte...
da morte!, imagine-se...
Sobrevivia, é verdade.
O paliativo com asas não impressionava
nem dava garantia de nada - sequer de chegada!

Já o homem vivia...
Tinha um sonho de orvalho lá fora e calor na cama;
de manhãs de sol com cheiro a terra
junto a lagos translúcidos e almoços grelhados
de trutas e batatas cozidas em água do poço.

(Sem sonho o homem morre, e a morte é a coisa mais certa)

Nas ruínas da periferia descobriram ambos o descampado.
A pista estava livre. Os pilotos esperavam pela conta de 325.
A bagagem era muita - utensílios vários, inestimáveis no desconhecido.
Os passageiros acorriam ao local. A notícia alastrava-se.

Ela advertiu-se de que, algures, alguém tinha como recuperar a civilização.
Soube, nesse instante, que não embarcaria num patético avião.
Já sem medo da morte, que julgava evitar assim,
evitou a vida.

Ele não teve outra saída senão entrar,
que a morte é a coisa mais certa
mesmo quando não se evita viver.

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Na Ucrânia, mas DAQUI

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Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Talvez XIII

Talvez uns percam para que outros ganhem

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Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Regido Pela Lua

Elaboro um plano de que serei forte amanhã, quando acordar.
Durmo com uma estranha noção do divino por perto, mas era apenas cansaço e solidão.
Aceno adeusinho aos dias que passam, como se lhes tivesse ganho aos dados, quando na verdade os perdi.
E foi quando fazia planos de que iria ser melhor amanhã, que me lembrei de que o havia feito cerca de 24 horas antes, regido pela Lua.

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Executado

Por sentença executado,
há um rumor de palavras frescas
debaixo da língua;
palavras que li, escrevi - e outras que nem escrevi -,
mas que nunca disse,
por serem pomposas, rebuscadas, difíceis,
ou então por serem hipócritas.
A pequena instância determina
a extinção das acções executivas,
dando-lhes a importância devida.
A carta, apócrifa,
de primeiro juízo prescrita,
pelo exposto artigo da lei minúscula
declara nula a instância executiva.

Sem custas.
Notifique e deposite.
Oportunamente, arquive.

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Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Domingo, Novembro 16, 2008

Lábio Cortado

Como Alegre, também o Rui porventura acredita que cada palavra contém o universo; que o equilíbrio cósmico pode ser alterado por um verso errado. Como amigo desta casa blogosférica, o poeta fulgurante Rui Almeida, autor do estimado blogue "Poesia distribuída na rua", merece este indispensável post de congratulações por lhe ter sido atribuído o Prémio Manuel Alegre, na sua primeira edição, pela Câmara Municipal de Águeda.
Já disse ao Rui que estou ansioso por ler "Lábio Cortado", o livro leporino de universos por palavra que deixou pelo beicinho um júri constituído por individualidades como Lídia Jorge ou Nuno Júdice.

Um abraço fraterno, Rui. Muitos parabéns.

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Sábado, Novembro 15, 2008

Baby Jane hoje na RTP1, em directo

Afinal, e ao contrário do que eu havia escrito ontem a propósito do diferido do programa "Portugal sem Fronteiras", gravado hoje, a coisa rolou mesmo em directo. Quer isto dizer que os Baby Jane apresentaram, pelas 12h12, na RTP1, uma versão muito reduzida (de cerca de três minutos) do single "História de Um Vinho Azedo", mas, ainda assim, valeu a pena, apesar do sensaborão playback...
Os Baby Jane agradecem ainda a amizade e a presença do convidado especial Mark Cain, um saxofonista fantástico.

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Sexta-feira, Novembro 14, 2008

Jorge Palma de última hora

Soube há minutos: com o alto patrocínio do meu velho amigo Felipe Gomes e a intermediação abençoada do meu mano Gustavo Silva, este blogger vai sair de casa daqui a nada, rumo ao Campo Pequeno, onde outro amigo, o Jorge Palma, fechará em grande a digressão do seu último álbum, "Voo Nocturno". O espectáculo também tem nome: "Último Metro".
Uma deixa apenas para o facto de que o dia de amanhã será longo, iniciando-se pelas 10 da manhã com gravações dos Baby Jane nos estúdios da RTP, tendo em vista a participação no programa "Portugal Sem Fronteiras", apresentado por Carlos Alberto Moniz. No entanto, o programa apenas será transmitido na semana seguinte, dia 22 de Novembro, na RTP1, a partir das 11 horas da manhã. Mais detalhes adiante.

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Sábado, Novembro 08, 2008

E eu com tanto por escrever nestes últimos dias...

Depois de uma semana de tantas tristezas, alegrias, sustos e desventuras; depois de experiências marcantes como o privilégio de um ensaio unplugged do Rodrigo Leão em quatro metros quadrados; de um regresso duplamente infeliz à Luz; de um reencontro com um amigo de infância quase dinamarquês... o encontro marcado para amanhã com o Tim e com o Cajó, em Palmela. Para a semana, almoço prazenteiro novamente com o Rodrigo Leão, no Bairro Alto. Entretanto, alguns textos a retalho e preocupações várias com amplitude larga de gravidade. Os estimados leitores não têm de saber isto, mas tenho eu de esboçar este traço da semana, para que não esqueça os tempos atribulados que se vivem um pouco por toda a parte. E... Trigo, não está esquecido.

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Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Esperança means Hope

Terça-feira, Novembro 04, 2008

IF YOU'RE AN AMERICAN CITIZEN AND VOTER, THIS IS THE GUY YOU SHOULDN'T VOTE FOR
Foto DAQUI

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Quinta-feira, Outubro 30, 2008

Talvez XII

Talvez tudo o que vive seja sagrado.

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Quarta-feira, Outubro 29, 2008

Crónica de João Castanho

João Castanho vivia nas franjas da cidade.
Tinha prole de cinco e mulher de tenra idade.
Madrugava e saía, a duas horas de caminho.
Chegava cedo à obra, com a marmita e o vinho.

Todo o santo dia a mesma falta de carinho,
o mesmo longo percurso frio de estar sozinho,
pateando duas paragens de autocarro até ao metro,
congelado entre olhares glaciais e férreos.

João Castanho trazia frio no estômago e, às vezes, medo.
Não sabia o que dizer quando lhe chamavam preto
e acabrunhava-se se lhe conhecessem apelido, no operário sonho.
Talvez, troçando, se lembrassem do preto que afinal é Castanho.

João Castanho era homem bom por natureza,
sem que Locke lhe falasse de Rousseau.
Vergado pela profunda iniquidade da pobreza,
não creria em quem, num andaime, o crucificou.

Era adolescente quando saiu de casa.
Uma camisa às costas e, na mão, velhos jornais
que julgava ainda assim vender na praça.
Grudou-se a um cargueiro e não mais escreveu aos pais.

Escrever não era mister que agradasse.
Antes punha pronto mãos à obra,
que o pensamento tartamudo em impasse
- naufrágio de palavras que à eloquência da força soçobram...

No entanto, João Castanho era homem de palavra.
Dormia pouco, no meio quarto da semibarraca.
Comia menos, embora muito feijão com arroz,
mas ligava sempre aos pais, de cartão, tocando-os com a voz.

João Castanho tinha dois varões e uma filha.
Trabalhava para dar-lhes o que não podia.
Honesto, previdente, não esquecia a família.
Por eles era um pai ausente em tristezas e alegrias.

Numa tarde de sol enfurecido, sentado no andaime,
João Castanho parou para pensar com os seus botões
no que fazer para que a vida mais o estime e ame,
e contemplou apenas os sorrisos das suas carnais criações.

João Castanho não sabia se temer mais a dor
ou o dia final dos dias - morrer.
Não sabia se recear não ter feito melhor
ou não ter feito algo que devesse esquecer.

E ia assim João deixando-se envelhecer,
sem actos de revolta nem profunda desilusão,
atenuada por três filhos saudáveis a crescer,
que um dia o chorariam inerte num caixão.

Mas o pai extremoso dera o nome ao primogénito,
primeiro universitário da família, adolescente ainda.
O desejado, o mais custoso, não era génio ou erudito,
nem dos três o mais bonito, mas a esperança faminta.

João Castanho Filho, 18 anos, estudante,
tinha sobre os ombros o futuro da família.
Não era seguidista nem beligerante,
mas teve, certa noite, de fazer uma vigília.

Amigos de infância, do gueto, da circunstância,
exigiram-lhe atenção junto à loja de conveniência.
Dez da noite, vinha das aulas sereno, saído do metro.
Era um assalto e às onze chorava preso, imerso em medo.

Interrogado, pontapeado, humilhado,
o preto confundido com a maralha
afinal era Castanho, filho de emigrado
com risível apelido adequado à canalha.

Morreu ovelha branca do rebanho,
João Castanho Filho, na esquadra da Avenida.
Nascera do amor dos pais Castanho,
para ser preto toda a vida.

No século XXI

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Terça-feira, Outubro 28, 2008

Montagem right away de imagens utilizadas nos posts de algumas das estrofes da "Crónica de João Castanho", terminada hoje. No próximo post, o puzzle deslindado

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Crónica de João Castanho (estrofe XVI)

Morreu ovelha branca do rebanho,
João Castanho Filho, na esquadra da Avenida.
Nascera do amor dos pais Castanho,
para ser preto toda a vida.

No século XXI

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Segunda-feira, Outubro 27, 2008

Domingo, Outubro 26, 2008

Crónica de João Castanho (estrofe XV)

Interrogado, pontapeado, humilhado,
o preto confundido com a maralha
afinal era Castanho, filho de emigrado
com risível apelido adequado à canalha.

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Talvez XI

Talvez eu devesse ter o dinheiro debaixo do colchão

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Talvez X

Talvez a morte guarde mais segredos que a vida

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Sábado, Outubro 25, 2008

Candeeiro "Drop", de Stuart Haygarth. DAQUI

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Gás de Síntese

Quando a água for de plástico
num mundo de borracha;
quando voarmos numa nuvem cinzenta
de monóxido comburente,
gaseificado seja o meu lamento,
que sorrio quando te vejo consumir
e deitar fora, porque és feliz assim.
Talvez eu fuja antes, asfixiado, para onde fume
a minha morte em cinzas transcendido.
Talvez o cume das montanhas seque
e o nível dos mares suba,
antes que a bolsa baixe vinte vezes
o PSIquismo dos alienados.
Talvez a crise me leve a carne do prato,
que como batatinhas multipolares
da fécula tuberculosa da humanidade.
Talvez eu finja, como flores de plástico,
não fingir coisa nenhuma.
Quando deixar de ser cobarde,
talvez me torne simplesmente optimista
e retome a leitura de jornais diários
na esperança de encontrar uma pista
que me ajude a mudar o mundo,
já que tudo o que o poderia mudar
foi escrito entretanto, sem sucesso.

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Sexta-feira, Outubro 24, 2008

O tempo nunca existiu


*
"O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós"
*
Excerto de "Eternamente Tu", do amorável Jorge Palma

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Não Tenho Horas Pra Chegar

Eu não ia virar-te as costas.
Apeteceu-me sair, mais nada.
Tinha de viver, tinha de ir,
havia outras coisas para fazer,
que eu nunca tinha feito,
que ninguém alguma vez fizera.
Era eu e mais ninguém, só isso;
apeteceu-me sair, mais nada.
Ah!, e não tenho horas para chegar,
não sei se amanhã estarei contigo,
mas quando te abraçar vai ser bom outra vez.
Não me queiras obrigar;
eu sei que há um mundo convulso lá fora
que não pertence a ninguém.

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Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Aos Estimados Leitores

A irregularidade do Caderno de Corda deve-se a um excesso de trabalho que, apesar de pouco saudável, terá alguns benefícios. Oportunidade para uma "surfada" pelos arquivos.
Uma palavra de consideração indispensável aos Estimados Leitores, que não esqueço por um dia que passe sem publicação. Ebuliente.

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Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Talvez IX

Talvez o dia seja cobarde e a noite corajosa

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Do filme Innocence. AQUI

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Terça-feira, Outubro 14, 2008

Crónica de João Castanho (estrofe XIV)

Amigos de infância, do gueto, da circunstância,
exigiram-lhe atenção junto à loja de conveniência.
Dez da noite, vinha das aulas sereno, saído do metro.
Era um assalto e às onze chorava preso, imerso em medo.

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Segunda-feira, Outubro 13, 2008

Crónica de João Castanho (estrofe XIII)

João Castanho Filho, 18 anos, estudante,
tinha sobre os ombros o futuro da família.
Não era seguidista nem beligerante,
mas teve, certa noite, de fazer uma vigília.

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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Pergunto: o estimado/a leitor/a está a experienciar dificuldades de visualização do Caderno de Corda?

Sábado, Outubro 04, 2008

Ecos da glória em Bollywood

O Caderno de Corda descobriu AQUI, após aturada investigação, que o próximo blockbuster do cinema de Bollywood, a ser rodado neste momento, fará referência à vitória de anteontem do Benfica. Ao que se sabe, o afamado realizador indiano Rajnish Omparkash é um fervoroso benfiquista. Diz-se, inclusivamente, que estava com um olho na transmissão do jogo e outro na objectiva, durante as filmagens, tendo feito questão de inserir esta curta cena numa parte do filme cujo guião havia sido fumado por um assistente de câmara. Rajnish, que tem contactos privilegiados com a direcção do clube da Luz, gastou milhões de rupias na instalação do canal Benfica TV em todos os seus aposentos, gabando-se de ser o "primeiro indiano com o Benfica no coração e em casa".

n.b. - Este post foi republicado sem a inserção do vídeo devido a incompatibilidades com o Firefox.

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Quarta-feira, Outubro 01, 2008

Foto DAQUI. Em Alfama, Lisboa

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Davi%20ReisQuantcast