quarta-feira, outubro 10, 2018

sexta-feira, agosto 17, 2018

Xutos'1000 - Não sou o único


No passado dia 7 de Julho fiz-me à estrada às 7 da manhã para estar no Pragal pela fresquinha, prestes a enfrentar um dia de calor, à torreira do sol, para homenagear o Zé Pedro e os Xutos & Pontapés numa interpretação massiva de "Não Sou o Único" pelos fãs da banda com vista à posterior realização do vídeo que aqui se divulga. 
Eram para ser 1000 mas foram menos - cerca de 700, mais coisa, menos coisa. A organização foi esforçada, mas talvez carecesse de mais meios para atingir os resultados a que se propusera. Pela minha parte, foi um dia necessário, já que eu não me furtava à homenagem, ainda que preferisse associar-me a um evento no qual a organização não se colocasse tanto no centro dos acontecimentos. 
Houve pessoas que voaram de Inglaterra para Portugal e outras que atravessaram o País para estar presentes. Pessoas que se prepararam em casa para tocar como se do seu instrumento dependesse o sucesso do evento, mas que, infelizmente, praticamente nem aparecem no vídeo (ou não aparecem mesmo), dando-se primazia a uma massa de gente no coro que certamente não teve de carregar material pesado ou fazer trabalho de casa, a alguns dos organizadores e aos chamados "líderes de naipe", cujo trabalho de preparação podia ter sido melhor sob alguns aspectos. 
A título de exemplo, e aqui numa crítica declarada à edição de vídeo, no momento do solo de guitarra o que vemos é uma mole de gente no coro com braços no ar e... mais braços no ar quando havia dezenas de músicos destacados numa fileira de guitarras solo aos quais não é dado um segundo, senão um destaque já descontextualizado do solo para o "líder de naipe", a posteriori... Frequentemente vemos também planos de corte de instrumentistas e vozes desfasados do tempo da acção e da música... 
Enfim, não querendo ser tão crítico como poderia (podia ir mais longe), devo dizer que o dia se passou bem, especialmente tendo em conta que estive na companhia de um amigo feito in loco, o guitarrista Nuno Conde, a quem fiquei a dever o facto de não ter apanhado um escaldão à séria graças ao protector solar dos filhos dele.  

Etiquetas: , , ,

terça-feira, agosto 14, 2018

Videoclip de "Silêncio (Estamos no Ar)"


A canção "Silêncio (Estamos no Ar)" foi apresentada AQUI, no Caderno de Corda, mais precisamente no dia 25 de Março de 2015. Hoje publico o videoclip possível, realizado por mim com recurso ao software Movie Studio 15, mais uma vez pejado de imagens ilicitamente obtidas do YouTube.
Compus, gravei, toquei, cantei, misturei e masterizei integralmente a música em casa (música, letra, baixo, guitarras, pandeireta, vozes, Stylophone e demais instrumentos) no gravador digital de oito pistas Boss BR-800. A bateria foi inteiramente tocada e programada na unidade de ritmo Boss DR-880. Todas as informações no post de lançamento da canção.

Etiquetas: , , , ,

domingo, junho 17, 2018

Sobre a Almofada dos Teus Ossos

Viste os anjos cair de alturas vertiginosas
e tu, como eles, sabias ser tão mais humano do que divino
- o próximo, tarde ou cedo.
De cada vez que olhas para o Sol
procuras a razão de ser e, perfurante,
a visão, cega, queima a luz e tudo em redor,
deixando-te caído numa Lua bêbeda e entorpecida,
imprópria dos imortais.
Vamos, criança lunar que estás tão longe esta noite.
A porta já foi arrombada de par em par.
Como foi que tu te fizeste brisa volátil mas selvagem,
flor de prata tão distante e capaz de florir a qualquer instante,
em qualquer parte?
Crepúsculo e sombra, és o passageiro, a visão e a cicatriz,
as brasas do teu mistério, que afagam a incredulidade
no brilho refulgente deste próprio pesar
- dependurado no lábio superior da depressão,
tal a febre pintada em recuo da mentira sem a dor,
sem a chance do remorso.
E quando fosse apenas sim ou não,
e agora se tornasse demasiado cedo,
convidavas-me para ver a Lua, mais uma vez,
sob a cintilação azul dos mistérios ansiosos da inquietude.
Todo o coração deveria ter batida;
toda a noite se embalaria no sonho;
todo o rei deveria ter rainha
e todo o santo deveria ter pecado.
Somos a margem à mercê da maré
e poeira diamantina.
O metal enferruja e afoga-se, Ilha de Homem.
Estamos cercados por nós próprios.
Mas como?, se desde que nascemos até ao dia final,
na escuridão da noite mais escura
e até sob o brilho solar da cegueira,
dizias ser à luta sangrenta
que não se viram costas,
para chegares tão cansado de viver na linha da frente,
mesmo sendo um príncipe e uma sombra.
Cada momento deixa-nos mais próximos de dizermos adeus para sempre.
És o inimigo de ti, o inimigo que tragicamente trazes contigo.
Porque não existe tal coisa como nada.
Sim, não há tal coisa como coisa nenhuma.
Mas tens o dedo no gatilho e prometeste desligar o mundo.
Durmo há duas noites sobre a almofada dos teus ossos.
Há duas noites sobre a almofada dos teus ossos.

E tu olhas para mim
em pose de Cristo,
pecaminosa emulação
de braços estendidos,
como se te carregasses sempre
- o maior fardo.
Injurias de liberdade o escravo
que nunca quis ser salvo
e renegas a alma luminosa
que em ti viram
e que tu crês fingir.
Foste sábio, ferida, máscara,
pilar de fumo, braços abertos e coração de platina;
entulho espalhado na berma da estrada,
segredo velado e revelado em ira.
És livre; nada te aprisiona, nem tu próprio.
No entanto, aí te prostras à imagem de Cristo,
e assim previste a desaparição no breu,
o tresmalho atrás das cortinas.
Não tinhas onde esconder-te
do paraíso e do carnaval de almas,
da doce euforia - coração fora do peito;
da graça perdida - deslumbramento desfeito.
Mil bocejos de um amor esquecido, desolado desejo,
e os olhos de éter, vagos e cegos, ausentes, como a vontade.
Mas como?, se até sob o brilho solar da cegueira
dizias ser à luta sangrenta
que não se viram costas,
para chegares tão cansado de viver na linha da frente,
mesmo sendo um príncipe e uma sombra.
Tinhas o dedo no gatilho, prometeste desligar o mundo
e eu dormi por duas noites sobre a almofada dos teus ossos.

O que querias ver claramente cegou-te;
o que mais querias possuir aprisionou-te,
mesmo sabendo não poder deter
algo que se pretende ver voar.
Sob disfarce, como se ninguém soubesse,
mais cantavas sublimemente
e menos se imaginava
que esses olhos secos
vidravam a tua verdade crua,
feia, que as vozes te segredavam
e que nas palavras expuseste
sem que alguém verdadeiramente as lesse
e escutasse para te salvar ou odiar.
Amado, não te compreendias,
como se por te amarem
te tornassem devedor
e incapaz de retribuir.
Desmereceste-te.
O espelho repudiava a tua imagem
e os outros não inquiriam o sorriso pintado
através do qual te escondias
e crias forjar as emoções.
És o inimigo de ti, o inimigo que tragicamente trazes contigo.
Porque não existe tal coisa como nada.
Só a exaustão que te adormecia.
Que te seguissem quando nada liderasses,
quando te perdesses e fosses apenas inseguro,
frágil e puro, inerme, amado incondicionalmente.
Porque não existe tal coisa como coisa nenhuma.
Como dantes, dormes sob um lençol de lua cheia,
sete penas na cabeça e sonhos a pairar sobre a cama,
perdidos atrás de palavras que nunca encontrarás,
e as estações seguem-se umas às outras.
Tinhas o dedo no gatilho. Prometeste desligar o mundo.
Dormi por duas noites sobre a almofada dos teus ossos.

Poema escrito em memória de Chris Cornell, iniciado a 19 de Maio de 2017 e concluído a 17 de Junho de 2018. As duas noites referidas no poema reportam-se à insónia de 48 horas após a notícia da sua morte.

Etiquetas: ,

Sobre a Almofada dos Teus Ossos (parte 3)

O que querias ver claramente cegou-te;
o que mais querias possuir aprisionou-te,
mesmo sabendo não poder deter
algo que se pretende ver voar.
Sob disfarce, como se ninguém soubesse,
mais cantavas sublimemente
e menos se imaginava
que esses olhos secos
vidravam a tua verdade crua,
feia, que as vozes te segredavam
e que nas palavras expuseste
sem que alguém verdadeiramente as lesse
e escutasse para te salvar ou odiar.
Amado, não te compreendias,
como se por te amarem
te tornassem devedor
e incapaz de retribuir.
Desmereceste-te.
O espelho repudiava a tua imagem
e os outros não inquiriam o sorriso pintado
através do qual te escondias
e crias forjar as emoções.
És o inimigo de ti, o inimigo que tragicamente trazes contigo.
Porque não existe tal coisa como nada.
Só a exaustão que te adormecia.
Que te seguissem quando nada liderasses,
quando te perdesses e fosses apenas inseguro,
frágil e puro, inerme, amado incondicionalmente.
Porque não existe tal coisa como coisa nenhuma.
Como dantes, dormes sob um lençol de lua cheia,
sete penas na cabeça e sonhos a pairar sobre a cama,
perdidos atrás de palavras que nunca encontrarás,
e as estações seguem-se umas às outras.
Tinhas o dedo no gatilho. Prometeste desligar o mundo.
Dormi por duas noites sobre a almofada dos teus ossos.

Poema (terceira parte) concluído na madrugada do dia 17 de Junho de 2018 pela morte de Chris Cornell (Seattle, 20 de Julho de 1964 - Detroit, 17 de Maio de 2017) 



Etiquetas: ,

quinta-feira, junho 07, 2018

Pelo Zé Pedro e pelos Xutos

terça-feira, março 27, 2018

Anno XIII - O Jantar

Imagem gentilmente editada e cedida pelo Grão-Mestre Cordiano João Trigo, cujo número 4 é, nesta data, motivo memorável e de grande felicidade. Legenda aleatória: César da Silveira, Miguel Leão Miranda, João Barroso, Edgar Pombinho, Ricardo Girão, Mafalda Filipe, Ricardo Tomás, Rui Pina, Sara Matos, João Trigo, Bruno Oliveira, Gustavo Silva, Frederico Costa. A Rita Franchi, o Rui Pedro Costa (que não aparece neste quadro) e as suas queridas meninas vieram, como vem sendo habitual, para nos dar o prazer da sua companhia no pós-jantar.

Ao décimo terceiro anno de Caderno de Corda nada creio poder escrever que suplante o prévio ou que verdadeiramente acrescente ao que já debitei por esta data. Subsiste, no entanto, uma ideia - aliás, já antes também aventurada: que o Caderno de Corda não desiste; a Amizade não desiste; O Jantar não desiste. Nós não desistimos. 
E suspeito ser esse um dos efeitos mais marcantes do nosso encontro, enquanto, permitam-me, "houver estrada para andar". De facto, e isto é de relevar, ao invés de irmos perdendo gás com o passar dos anos, não esmorecemos; antes pelo contrário. Até o Caderno de Corda acelerou recentemente a frequência de publicação com alguns textos por que não crê passar vergonha. 
Pela minha parte, posso dizer-vos que chego sempre de coração cheio a casa, lamentando apenas não ter tido noites inteiras, consecutivas, em loop, deste 26 de Março para prolongar o nosso encontro a cada ano e estar mais tempo com todos e cada um. 
Obviamente convido, como sempre, os estimados leitores a visitar esta casa blogosférica, os arquivos, as canções caseiras e as não tão caseiras, e a forma inicial, espontânea, de muitos textos mais ou menos poéticos, alguns dos quais, polidos a posteriori, mais tarde redundaram em dois livros de poesia.
Em retrospectiva, e para aqueles cuja memória não abona ou que apenas recentemente tomam contacto com este blogue, O Jantar começou pela caixa de comentários de um post de título "Anno I - Exortação aos estimados leitores", publicado precisamente AQUI, que assim rezava (note-se que naquele tempo não havia Facebook): 
"O Caderno de Corda está, não tarda, a celebrar o primeiro ano de vida de publicação ininterrupta. Para a data (27 de Março), nada está previsto ser feito até ao momento. Serve este post para solicitar aos estimados leitores - assíduos e ocasionais - a participação, sugerindo, por exemplo, o que, nesse dia, gostariam de ver publicado, sendo certo que tudo é possível, desde que imaginável. Aceitam-se sugestões e até textos originais. Libertem-se e libertem também o Caderno de Corda do umbiguismo poético do Davi Reis, de que está refém. A caixa de comentários é toda vossa. Até à data referida não há impossíveis."
E na caixa de comentários respectiva lavraram-se 20 comentários, todos eles carinhosos e benfazejos, mas houve um que definiu em absoluto o que viria:
"Eu sugiro tudo o atrás sugerido... feito à mesa! Faz um jantar, abre as portas à mesa! Aquele Abraço 
Gustas 
domingo, março 19, 2006 1:35:00 da tarde"
O Kaiser não hesitou, levantou os 20 votos e assim foi. 

Este ano tivemos notadas ausências, mas também fantásticas estreias, entre as quais o Frederico Cruzeiro Costa, a querida Mafalda Filipe, o Edgar Pombinho e o Bruno Oliveira, todos amigos de longuíssima data. Como digo amiudadas vezes, uma vez da Confraria, sempre da Confraria.
Daqui em diante não mais teremos como fundo os azulejos verdes que caracterizavam de há muito as salas do restaurante A Valenciana, que entretanto foi totalmente remodelado, e fizeram-se progressos no que ao acerto de um preço fixo diz respeito. Já a especialidade dos rissóis ocos não fez adeptos entre os Comensais da Sala Marquês.
As ausências, como sempre, devidas a incontornáveis imprevistos de última hora, e outras, previstas, por motivos de força maior. É por isso que não dispenso a menção e Aquele Abraço ao meu Irmão Grão-Mestre Cordiano e fotógrafo oficial da Confraria Ricardo Pinto, que, apesar de ter uma festa de aniversário de que não podia nem queria perder pitada (uma festa que continuará a sobrepor-se ao Jantar nos anos vindouros), ainda telefonou na perspectiva de chegar tardiamente para o abraço, mas as portas já estavam fechadas e na rua estávamos apenas eu, o Ricardo Girão, a Mafalda, o Frederico Costa, o Ricardo Tomás e o Rui Pina a queimarmos os últimos cartuchos - cigarros e dedos de conversa. 
Também os Mestres Comensais João Pimenta, Carolina Pinto, Sofia Damião, João Carlos Graça, Bruno Tomás, Miguel Pereira, Hugo Dantas, Carlos Nunes e Nuno "Dino" Rodrigues foram lembrados, sendo que a permanência do João Pimenta em Sines e o horário de trabalho do Bruno Tomás impactam na trajectória do meu desejo de voltar a revê-los à mesa neste dia. Impactam na trajectória do meu desejo, leram bem.
A eles e aos Comensais Rui Almeida, Paulo Amaral, Bernardo "Moisés" Rodrigues, Patrícia Nicolau, Fernando e Joana, Jacinto e Simone, Bruno Sardo, André Paiva, Felipe Gomes (Félix), Vilma, Joana e Margarida, Rute, Paula, Aquele Abraço. 

A estes e a todos os futuros Comensais Cordianos. 

E repito (mais uma vez) a punch line de um post de há exactamente 12 anos, desta feita no primeiro ano abençoado pela presença da minha doce Rosarinho, Amor Maior, dirigindo um trecho retirado do poema "Setentrional", de Cesário Verde, aos amigos com quem jantei:

"(...) Quando ao nascer da aurora, unidos ambos
Num amor grande como um mar sem praias (...)"

Cesário Verde

Este blogue é e continuará a ser o meu fiel depositório criativo.

Como sempre nesta ocasião, o cabeçalho do Caderno de Corda encontra-se actualizado, podendo ler-se, no final da animação taylor made pelo realizador Tiago Pereira, Anno XIII.

Daqui a exactamente um ano, no mesmo sítio, à mesma hora.

ASSIM foi. Assim seja.

Links para posts análogos dos aniversários anteriores:

Etiquetas: , , , , , ,

domingo, março 11, 2018

Domingo Chuvoso, Dia de Reis

Deus, Pátria, Família;
Fado, Futebol, Fátima.
Acima da neblina
que esconde a deidade,
eis o proto-mito,
simples, humilde, porte negro
da altíssima nobreza da Mafalala
- pé descalço, bolas de trapos
chutadas pó adentro,
levitantes nas asas de anjos
feitos da terra vermelha dos heróis.
Daquém e dalém,
antípoda dos clichés.

Sonhada Mãe África
que da argila brota pérolas,
rapazes serenos de olhos atentos,
reluzentes, contendo o brilho de estrelas
e as próprias estrelas.
Pernas de Hércules,
destrezas de Ulisses,
pés com astúcias de mãos,
um joelho de Aquiles.

De Lourenço Marques colonial
renascia um grande Portugal,
das brumas da memória
dormentes na noite funda,
quente e húmida de Moçambique.

O mergulho na ruidosa e velhaca ideologia.
O menino tem frio.
Aquece-o uma roda de fogo
que o destina a flamejante pirotecnia
sobre as cabeças da gente.
Em Lisboa, quase clandestino,
fez a vontade à mãe
e ficou.

Nos olhos do Povo,
em despique com a gramática,
como um espelho,
Eusébio e Benfica
seriam palavra fundida,
uma parelha amorosa
que a semântica teme
e desdenha
na angústia dos 90 minutos
que dura a vida 
- e a eternidade.

Golo após golo,
com dignidade inigualável,
disparado o sonho da multidão
na ponta das chuteiras,
ousou sonhar também, sempre.
Que poeta portentoso dos relvados
vestiu a pele dos anónimos,
ébrios desgraçados,
e os fez grandes e felizes,
estraçalhando a pontapé
o espelho que une e separa
a razão do coração
num segundo fraccionado
pela parábola do seu drible.

Golo! Goolo! Gooolo!

Havia golos, orgasmos com asas,
silenciando o samba
por um fado negro de relâmpago;
havia abraços a adversários batidos
e lágrimas de brio
em homenagem à condição humana
no rosto da derrota.

Arrepiante, viu cair reis a seus pés.
Puskás, Gento, Kocsis, Crizbor, Pelé,
o semi-deus Di Stéfano
soçobraram ante o menino
que bailava para eles
sem oponentes nem inimigos,
com uma camisola por troféu.

Guardião de todos os símbolos,
foi estátua em vida;
metro de todas as medidas
no rectângulo de jogo,
curto para uma pantera
a transpirar savana.

Em recta, elipse, meia-lua,
escrito em constelações,
reinventa a velocidade,
o ritmo, a intensidade, a direcção.
Potência, explosão!
Uma lança no mundo,
rematado em jeito.

Arqueado, oscilam músculos,
ossos, tendões,
reconstituindo com minúcia
e impacto a ordem das coisas,
o Universo.

Santo rotundo de bronze
com honras de Panteão,
de todos um no onze contra onze,
homem todo coração,
em movimento feérico, bailado,
de torsos e pés enlaçados.

No final, corpo triunfante, deitado
como todos os homens,
sujeitos da gravidade,
e no Lumiar repousou sob chuva torrencial.
Alguns lhe ofereceram asas e flores de múltiplas cores.
Rubras, alvas, negras,
asas de fogo engomadas pela fantasia
e fecundas de imaginação,
da matéria densa dos sonhos
levados às suas costas.

Protagonista improvável de narrativa imperial,
Eusébio indizível, incorporado, inexprimível
- que “as lendas não têm ponto final” -,
é outra forma de dizer Benfica.

E por obras valorosas, incríveis,
Eusébio foi da lei da morte libertado
num domingo chuvoso, dia de reis.

Eusébio da Silva Ferreira

N.B. - Dedicado a Eusébio da Silva Ferreira, este poema foi escrito quase integralmente e na sua forma definitiva entre o dia do falecimento de Eusébio (5 de Janeiro de 2014), num domingo chuvoso, dia de reis, e o dia do seu funeral, a que compareci sob chuva torrencial. Não senti, no entanto, que o havia completado, e guardei-o. Entretanto, mudei de computador, mudei de casa... O poema ficou num Word esquecido até que foi recuperado de um disco rígido e de mim para mim recordado há cerca de um mês. Já não me lembrava da sua existência. O último quarto do poema foi escrito recentemente, numa qualquer noite deste mês. Agradeço ao Mestre António Simões, autor do livro "Eusébio como Nunca se Viu", pela amizade, pelo apoio, pelo olho crítico e pelas tão pertinentes sugestões após a leitura prévia do poema. Por fim, aquele abraço, o da Vitória, ao meu querido Irmão ilegítimo Gustavo Silva, com quem partilho o idealismo dos elevados princípios do puro benfiquismo e dessa memória pueril de dia de jogo, já que não o posso fazer com o meu pai. 

Etiquetas: , , , ,

sábado, março 10, 2018

Anno XIII - O Jantar (convocatória)

E à beira do seu 13.º aniversário, o Caderno de Corda vem proceder à convocatória formal para O Jantar, que se realiza invariavelmente no restaurante A Valenciana. Como sempre, a participação é livre e dedicada aos meus indefectíveis Irmãos cordianos, pensando também nos estimados leitores, fisicamente distantes, ou nem por isso. Note-se que O Jantar se realiza a dia 26 para que, a 27, dia de aniversário, este blogue se apresente devidamente engalanado e actualizado.

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Sobre a Almofada dos Teus Ossos (parte 2)

E tu olhas para mim
em pose de Cristo,
pecaminosa emulação
de braços estendidos,
como se te carregasses sempre
- o maior fardo.
Injurias de liberdade o escravo
que nunca quis ser salvo
e renegas a alma luminosa
que em ti viram
e que tu crês fingir.
Foste sábio, ferida, máscara,
pilar de fumo, braços abertos e coração de platina;
entulho espalhado na berma da estrada,
segredo velado e revelado em ira.
És livre; nada te aprisiona, nem tu próprio.
E, no entanto, aí te prostras à imagem de Cristo,
e assim previste a desaparição no breu,
o tresmalho atrás das cortinas.
Não tinhas onde esconder-te
do paraíso e do carnaval de almas,
da doce euforia - coração fora do peito;
da graça perdida - deslumbramento desfeito.
Mil bocejos de um amor esquecido, desolado desejo,
e os olhos de éter, vagos e cegos, ausentes, como a vontade.
Mas como?, se até sob o brilho solar da cegueira
dizias ser à luta sangrenta
que não se viram costas,
para chegares tão cansado de viver na linha da frente,
mesmo sendo um príncipe e uma sombra.
Tinhas o dedo no gatilho, prometeste desligar o mundo 
e eu dormi por duas noites sobre a almofada dos teus ossos.


Poema (segunda parte) escrito no dia 4 de Fevereiro de 2018 pela morte de Chris Cornell (Seattle, 20 de Julho de 1964 - Detroit, 17 de Maio de 2017)

Etiquetas: ,

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Há precisamente 18 anos...

Baby Jane (com Pablo Ataide Banazol a salvar o dia) no ISCTE, pela Mega Tour da Mega FM 
15 de Janeiro de 2000

Etiquetas: , , , ,

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Zé Pedro

Foto: Carlos Mateus de Lima

Logo, por volta das 21 horas, a convite do querido amigo Mário Rodrigues, terei a honra de estar em directo na rádio RCA - Ribatejo (104.00 FM) em homenagem singela mas significativa ao nosso já saudoso Zé Pedro. Para Sempre.

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, novembro 30, 2017

Para Sempre

Um ídolo pela aura; um amigo pela humildade, pela bondade, pela simplicidade e por tudo o que me deu sem saber. Parcas palavras para mistificar a morte de um ícone da cultura portuguesa. Da cultura que, desde menino, apreciei e até mimetizei. 
Cantei, na escola primária, perante pais e alunos, os Xutos. Na escola secundária fiz uma banda que os tinha como referência. Mais tarde fui à televisão com a banda da minha vida e tocámos... Xutos. É possível que a canção que mais vezes tocámos tenha sido a "Casinha". 
Entrevistei-o várias vezes como jornalista. Vi, em preview, ao seu lado, cadeira com cadeira, o documentário "Twenty", dos Pearl Jam, no cinema Alvalade XXI. Trocámos ideias, gostos e alguns momentos. 
Não me recordo de tudo, mas lembro-me perfeitamente da primeira vez que o conheci pessoalmente, era eu ainda adolescente, numa semana de sete dias em que vi os Xutos tocar quatro ou cinco vezes. O Zé estava na loja de conveniência da minha rua, em Lisboa, onde eu ia comprar tabaco. Enchi-me de coragem e cumprimentei-o. Ele estava acompanhado. Quando, depois de dizer-lhe que o concerto da noite anterior tinha sido óptimo, o ia deixar, foi o companheiro dele que disse conhecer-me, que tinha sido porteiro de um bar onde os Baby Jane haviam tocado umas semanas antes - e a conversa recomeçou. 
Eu tinha uma banda e o Zé Pedro interessou-se; disponibilizou-se para ouvir uma maqueta que nunca lhe fiz chegar. Não lhe pedi nada. Era o Zé Pedro, o nosso Zé Pedro. O Zé Pedro de Portugal. 
Os Xutos foram a banda que mais vezes vi tocar na vida. Não quero exprimi-lo, mas creio ser seguro dizer que os Xutos também findaram hoje, se bem que nem Xutos nem Zé Pedro expirem, apesar da vida e da morte. 

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, novembro 01, 2017

Querida Irmã Hall

A Irmã Hall foi, sem dúvida, a pessoa que mais me marcou no Colégio Externato do Parque (Doroteias). É com saudade inabalável que me despeço dela, na certeza de que estará bem e luminosa, firme e constante, a comandar os astros de qualquer outro firmamento; a defender um caminho de rectidão, disciplina e conduta, todo ele fortemente alicerçado em Amor, Pureza e Justiça. Um beijinho, querida Irmã Hall.

Etiquetas: ,

sexta-feira, outubro 20, 2017

Cinco anos...

domingo, outubro 08, 2017

Sonic Musketeers

Não é uma corrente. Apeteceu-me partilhar isto por ter-se afigurado demasiado óbvio, certeiro e decisivo na minha cabeça e no meu espírito. Quase premente. Os três discos da minha vida: "White Album" (The Beatles), "Só" (Jorge Palma) e "Ten" (Pearl Jam).

Etiquetas: , , , ,

sábado, setembro 09, 2017

Maria do Rosário de Almeida Pereira de Brito Simões (Rosarinho). 19h08, 9 de Setembro de 2017

sábado, maio 20, 2017

Sobre a Almofada dos Teus Ossos (parte 1)

Viste os anjos cair de alturas vertiginosas
E tu, como eles, sabias ser tão mais humano do que divino
- o próximo, tarde ou cedo.
De cada vez que olhas para o Sol
Procuras a razão de ser e, perfurante,
A visão, cega, queima a luz e tudo em redor,
Deixando-te caído numa Lua bêbeda e entorpecida,
Imprópria dos imortais.
Vamos, criança lunar que estás tão longe esta noite.
A porta já foi arrombada de par em par.
Como foi que tu te fizeste brisa volátil mas selvagem,
Flor de prata tão distante e capaz de florir a qualquer instante,
Em qualquer parte?
Crepúsculo e sombra, és o passageiro, a visão e a cicatriz,
As brasas do teu mistério, que afagam a incredulidade
no brilho refulgente deste próprio pesar
- dependurado no lábio superior da depressão,
Tal a febre pintada em recuo da mentira sem a dor,
Sem a chance do remorso.
E quando fosse apenas sim ou não,
E agora se tornasse demasiado cedo,
Convidavas-me para ver a Lua, mais uma vez,
Sob a cintilação azul dos mistérios ansiosos da inquietude.
Todo o coração deveria ter batida;
Toda a noite se embalaria no sonho;
Todo o rei deveria ter rainha
E todo o santo deveria ter pecado.
Somos a margem à mercê da maré
E poeira diamantina.
O metal enferruja e afoga-se, Ilha de Homem.
Estamos cercados por nós próprios.
Mas como?, se desde que nascemos até ao dia final,
Na escuridão da noite mais escura
E até sob o brilho solar da cegueira,
Dizias ser à luta sangrenta
Que não se viram costas,
Para chegares tão cansado de viver na linha da frente,
Mesmo sendo um príncipe e uma sombra.
Cada momento deixa-nos mais próximos de dizermos adeus para sempre.
És o inimigo de ti, o inimigo que tragicamente trazes contigo.
Porque não existe tal coisa como nada.
Sim, não há tal coisa como coisa nenhuma.
Mas tens o dedo no gatilho e prometeste desligar o mundo.
Durmo há duas noites sobre a almofada dos teus ossos.
Há duas noites sobre a almofada dos teus ossos.

Poema (primeira parte) escrito dois dias após a morte de Chris Cornell (Seattle, 20 de Julho de 1964 - Detroit, 17 de Maio de 2017), a quem dedico Amor.  

Etiquetas: ,

segunda-feira, março 27, 2017

Anno XII - O Jantar

Legenda como sempre aleatória da foto: Ricardo Girão, Moisés, João Pimenta, João Trigo, César da Silveira, Miguel Leão Miranda, Nuno "Dino" Rodrigues, Fernando Cruz, Joana Guerra, Ricardo Pinto, Hugo Simões, Carolina Pinto, Sofia Damião, Rui Pina, Hugo Dantas, Rute Ferreira, Ricardo Tomás, Sara Matos e Carlota Amaral.  

E, ao décimo segundo anno de Caderno de Corda, quando quase toda a substancial prosa poética já foi antes deitada e servida à mesa cibernética por esta ocasião, chegamos àquele ponto em que o blogue deste vosso dedicado escriba parece já não precisar de enlear os leitores para que o seu jantar comemorativo se concretize com Vitalidade e entusiasmo sempre crescentes. Arriscaria dizer ser essa a gratificação suprema no que respeita à memória do seu verdadeiro e último fito.
Este estará por certo longe de ser o post comemorativo mais prolixo, mais inspirado, mais imediatista. Está, de facto, a ser escrito a contra-relógio na manhã de sexta-feira de dia 31 de Março de 2017, mais de quatro dias depois da realização do Jantar e do aniversário do Caderno de Corda, por absoluta necessidade e, por motivos pessoais e profissionais bem aventurados, por impossibilidade declarada de fazê-lo antes com dedicação que a ocasião merece.
Entre grandes volumes de trabalho que exigem entrega absoluta e a preparação de uma longa viagem para Quito, no Equador, dentro de cerca de um dia, aqui me encontro, dedicando-vos, queridos confrades cordianos, estas linhas e algumas considerações fundamentais para a memória futura do que vos escreve e do seu blogue.
Como os honorários e beneméritos comensais cordianos saberão, este blogue foi, durante largo período, depositório criativo regular; construção por vezes sôfrega, megalómana, por vezes suspirante, mas sempre incansável e confidente, de peito e braços abertos. Não obstante, com o tempo, a Vida 1.0 e o advento das redes sociais, o Caderno de Corda foi vendo reduzida, gradualmente, a periodicidade de publicação.

Escrevia-se aqui assim, há dois anos:

(...) quando o Caderno de Corda nasceu, não havia Facebook. Nós líamos mesmo os blogues uns dos outros, procurávamo-nos - a nós e aos outros - numa plataforma de linguagens mais íntimas e duradouras, por oposição à efemeridade e à aparência das redes sociais. Este ano (..) é prova de que a casa se constrói pelos alicerces, e só assim permanecerá e crescerá forte, apesar do temporal lá fora e da iniquidade de um mundo hostil por natureza."
Hoje tudo está melhor, mais sólido, mais forte, mais promissor do que há dois anos. No entanto, o Caderno de Corda não o exprime na forma e no conteúdo do que o caracteriza: a Música, a poesia, a prosa, a prosa poética e outros deleites criativos que exigem Vida e largas doses de ociosa e dedicada contemplação. O que aqui vem sendo prometido nos últimos anos não está a ser cumprido - que o Caderno de Corda voltaria em breve às grandes empreitadas poéticas e à publicação de novos e inéditos objectos criativos, ainda que etéreos. Mas a promessa não é vã - chegue a Vida a dar-nos tempo.

Ainda assim, como também se pode ler AQUI há dois anos, o que está contido nos arquivos pode oferecer longas horas de leitura aos mais entusiastas e curiosos:

(...) só um rato de arquivo (para não escrever "biblioteca", cujo termo seria blogosfericamente desadequado) com muito tempo vago e curiosidade felina poderia abarcar o volume e os conteúdos desta página desde o seu primeiro post. De facto, mesmo clicando na tag que reúne os posts relativos ao aniversário cordiano, e, por consequência, do Jantar, constata-se que, por definição do Blogger, a página inicial já não tem, de há algum tempo a esta parte, capacidade para conter, de uma assentada, todos os conteúdos relacionados, acabando os mais antigos por ficar excluídos, embora consultáveis apenas com recurso aos arquivos mensais. 
Convidando, pois, os estimados leitores a visitar esta casa blogosférica, passo em revista, de modo muito sintético, alguns eventos que marcaram O Jantar - Anno XII, nomeadamente a notada - e justificada - ausência de última hora do Patrono Gustavo Silva, o aparecimento fugaz da Rita Franchi e do Rui Pedro Costa (que não jantaram nem posaram para a foto) e a estreia absoluta do mítico Moisés, também conhecido pelos profanos como Bernardo Rodrigues.
Mais uma vez, foi notada uma conta final inflacionada (possivelmente também devido aos muitos Cartuxas e a hipotéticos digestivos), a que porei termo sob compromisso de que, para o ano, estabeleceremos um valor fixo previamente.
No final, a noite prolongou-se. Primeiro cá fora, com Dino, Girão, Pina e Moisés, e depois em minha casa, com os resistentes Girão e Moisés, sendo que este último só de cá saiu por volta das 19 horas do dia seguinte, por sinal com dedos em sangue vertido nas cordas das minhas guitarras e no papel higiénico em que escreveu uma doce nota de despedida, deixada na porta do frigorífico.
Pela segunda vez foi pedido à confraria cordiana que compusesse ela própria, a múltiplas mãos, um texto que comemorasse a ocasião e, de algum modo, dispensasse este vosso esforçado escriba de, ano após ano, chegar à superação e ao novo. Quando há um ano havíamos tentado recorrer ao método surrealista cadavre exquis, subvertendo o discurso literário convencional, "a confraria compôs um texto de tal modo progressista e simbólico, pleno de alçapões metafóricos, abstracções elevadas e alegorias finas, quase etéreas, que decidi apresentá-lo (...) traduzido e adaptado em inglês com base em cálculos numerológicos e na sequência de Fibonacci".
Este ano sucedeu algo semelhante, mas com a particularidade de que, imediatamente antes de ser entregue a folha e a caneta ao Primeiro Literato Irmão João Trigo, foi feito um anúncio feliz que modelou inadvertida e indelevelmente os conteúdos das proposições escritas dos estimados confrades. Tal não estava previsto e, na Verdade, seria algo preferencialmente mantido em sigilo neste imediato. No entanto, o Caderno de Corda não cerceia; liberta. Assim sendo, neste "Cordian Cadavre Exquis 2 (Vida 2.0)" que deve parte do nome ao Nuno "Dino" Rodrigues (Vida 2.0), a equipa de editores do Caderno de Corda optou por, desta feita, recorrer a uma técnica avançada de pot-pourri, razão por que não vou respeitar necessariamente a ordem pela qual as frases foram integralmente escritas, mas mantenho todo o conteúdo manuscrito, palavra a palavra, misturando ideias e procurando sentidos alternativos que preencham de ambiguação e dúvida o leitor páraquedista quanto ao seu significado original.

 Cordian Cadavre Exquis 2 (Vida 2.0)
Numa noite especial, reúnem-se os amigos para saber, só se assim quiseres, que há que pensar positivo e acima de tudo saber que a solidão não existe. Quando temos tão bons amigos, sempre perto e nunca longe, é de aproveitar que estamos vivos, com saúde, caso precisemos de algo, seja nos bons ou maus momentos. A vida que vivemos e a vida que está por vir, tudo é a nossa história, o passado e o devir. O importante é que se venha!, e que tudo nos leve à Vida 2.0 que tanto queremos que chegue! Tens a caminho a maior felicidade do mundo. Que venha do Sporting porque, do mesmo modo, o consenso sobre a necessidade de qualificação desafia a capacidade de equalização das direcções preferenciais no sentido do progresso para trazer mais este elo de suor, sangue e algum sémen! Ordem e progresso, "ipirangou" alguém! Foda-se, clamou outro! "Random", suspirou o Trigo. Olha, Hugo, tu vai pinar, tu pinas bem! É o que dizem por aí.  Parabéns! É o que se deve dizer. Estaremos todos aqui para ajudar, mas tenho pena, mudando de assunto, não ter entrado na foto de 2008 (fui eu que tirei, eheheh). Aos aniversários, casamentos e baptizados, obrigada pelo apoio mesmo distante, muita saúde e vai ser bué complicado mais um sobrinho! Espero que os reencontros sejam muitos e por bué tempo, no que for preciso, incluindo desencaminhar para o sítio certo. Grande orgulho ver o Simões juntar-se à equipa. Penalti ou não, o melhor remate da tua vida não foi ao poste... Agora a esperança de encontros menos esporádicos dos papás! Seguro que será um grande pai! Uma felicidade inexplicável, imensa, do fundo do coração. Aproveita meu Irmão! Estamos juntos. Viva o Benfica e penalti para o Porto.
(fotografia artística de pormenor da mesa do Jantar por Ricardo Girão e Moisés)

Regresso, novamente, a uma ideia já disposta em aniversários cordianos anteriores, mas que se mantém totalmente válida: 

"Enche-me o coração armar um pretexto que volte a reunir outros três ou quatro amigos de infância, de escola primária, e outros tantos amigos de rua cruz-quebradense, de escuteiros, de colégio, de banda, de turma, e todos juntos sermos o momento de que se não desiste. Foi verdadeiramente esse o motivo que me fez, com o impulso do Gustavo Silva, (...) abraçar este Jantar como a uma tabla contínua de passado, presente e futuro maciços e duráveis, que se consubstancia na nossa presença e que consegue, paradoxalmente, flexibilizar os contornos do tempo e do espaço em concavidades e convexidades que nos mantêm à tona de uma realidade que, como não me canso de escrever nesta ocasião, transcende em muito a liça cibernética, resgatando a tangibilidade dos afectos. Sim, este jantar é um feito de todos, muito além da celebração do aniversário do blogue, e eu só posso sentir-me honrado pelo privilégio de estar convosco anualmente, nesta data, de forma espontânea, livre e desejada mutuamente."
Todas as fotos (exceptuando uma) do Irmão Ricardo Pinto, também referido no Jantar como "Torre do Tombo"

Este blogue é e continuará a ser o meu fiel depositório criativo.

Como sempre nesta ocasião, o cabeçalho do Caderno de Corda encontra-se actualizado, podendo ler-se, no final da animação taylor made pelo realizador Tiago Bettencourt Pereira, Anno XII.

Daqui a exactamente um ano, no mesmo sítio, à mesma hora.

ASSIM foi. Assim seja.

Links para posts análogos dos aniversários anteriores:

Etiquetas: , , , , , , ,

sábado, agosto 06, 2016

Demasiado para o exprimir por palavras minhas

sexta-feira, abril 08, 2016

domingo, abril 03, 2016

Anno XI - O Jantar

Legenda aleatória da foto 1 (resultado do jogo Benfica vs Braga a 3-0): manas L. e M. Franchi Costa, Miguel Leão Miranda, Rita Franchi, Hugo Simões, Rui Pedro Costa, João Pimenta, Carlos Nunes, João Barroso, Miguel Pereira, Rui Pina e, last but not least, João Trigo.  
Legenda aleatória da foto 2 (após o jogo, com resultado final de 5-1): Carlos Nunes, Patrícia Nicolau, João Pimenta, Joana Guerra, Miguel Leão Miranda, Fernando Cruz, Miguel Pereira, Simone Palma Mezzomo, João Barroso, Rui Jacinto, João Trigo, Hugo Simões e Rui Pina.  

Este ano, décimo primeiro do Caderno de Corda, foi excepcionalmente alterada a data de realização do Jantar (26 de Março, sendo o aniversário a 27) devido à coincidência com a sexta-feira santa do calendário religioso - um feriado que alongou o fim-de-semana e que tornaria impossível a presença de muitos. Por sugestão, e após alguma discussão acerca da alteração da data, decidi remarcar o Jantar para o dia 1 de Abril - o poisson d'Avril, April's fools, pesce d'Aprile
No entanto, interpôs-se o calendário futebolístico e os seus imponderáveis, e o Benfica havia de estar destinado a defrontar - e cilindrar - o Braga neste dia. Em resultado disso, muitos dos que estariam certos no Jantar passaram antes o serão na Catedral, donde certamente também saíram com a barriguinha cheia e um sorriso nos lábios. Aos honorários e beneméritos comensais cordianos Gustavo Silva e César da Silveira, Aquele Abraço da Vitória. Ainda assim, também a Patrícia viu a Luz, e ainda veio a tempo de jantar na nossa companhia. Nota também para a primeira ausência do titular absoluto à mesa cordiana Ricardo Pinto, que teve compromissos de palco inadiáveis.
Ora, em jeito de analepse, o também nosso dia das mentiras parece ter tido origem, segundo consta, em França, depois de o rei Carlos IX ter adoptado, em 1564, o calendário gregoriano, determinando que o ano novo seria doravante comemorado a 1 de Janeiro. Recorde-se que, desde o início do século XVI, o ano novo era festejado a 25 de Março, data que apontava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam a 1 de Abril... Sucede que alguns franceses resistiram à mudança adoptada pelo rei e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciava a 1 de Abril. Os trolls da época passaram então a ridicularizá-los, enviando presentes duvidosos e convites para festas que não existiam - plaisanteries, plaisanteries... Por isto, e porque já tive primeiros de Abril de boa memória, me pareceu uma data curiosa e apropriada para estabelecer a excepção à regra de um Jantar que o é, mas da Verdade. Concluo ainda que, porque a perfeição é inatingível, não mais, salvo circunstâncias verdadeiramente excepcionais, alterarei a data do Jantar, e seja o que a deidade quiser.
Devido a insuficiências técnicas, o restaurante A Valenciana não pôde, este ano, dar-nos condições para vermos o jogo numa sala para o efeito, pelo que tomei a iniciativa de levar o meu portátil. Assim, com recurso à rede wireless do restaurante, vimos o jogo em directo, o que redundou numa manifesta e gradual perda de entusiasmo da parte do muy prezado sportinguista João Trigo, à medida que o Benfica ia alavancando um resultado demolidor. 
Se, em boa Verdade, a noite seguiu alta para uma snookerada com os sobreviventes Pina, Carlos, Pimenta, Patrícia, Fernando, Joana, Jacinto e Simone no Snooker Club de Lisboa (Penya Barcelonista de Lisboa), mais alta esteve quando, após as quatro da matina, me despedi do Pina, por fim, novamente junto à Valenciana, na sequência de uma conversa de Vida e Verdade que se prolongaria naturalmente por muitas horas, não fosse o frio e a obrigatoriedade quotidiana de seguir caminho. 
Mas recuando ao Jantar, inolvidável é também a composição, pela primeira vez, de um texto escrito a múltiplas mãos pelos estimados comensais cordianos, com recurso ao método surrealista cadavre exquis, subvertendo o discurso literário convencional. Dito e feito, a confraria compôs um texto de tal modo progressista e simbólico, pleno de alçapões metafóricos, abstracções elevadas e alegorias finas, quase etéreas, que decidi apresentá-lo desde já traduzido e adaptado em inglês com base em cálculos numerológicos e na sequência de Fibonacci.

Cordian Cadavre Exquis 1

Friends like these, like stoning the pond
of today's communities,
in which we all represent a different facet,
with visions, opinions and influences.
They conquer us, envelop us, consume us,
such as a pungent and constant pain
that leaves me with a bloodied wicker
without ever regretting the pleasure
of, in your company, 
watching the Glorious one prevail.
With a little chicken on the goal
- and also in the tummy -
the return to a childhood,
the return to an unresting life 
of staring the tender eyes of friends,
sometimes distant,
bringing longing memories
and the yearning of remembering
the mega success of Günther 
and the Sunshine Girls
- you touch my trá-lá-lá.

Regresso, por fim, a uma ideia já disposta em aniversários cordianos anteriores, mas que se mantém totalmente válida: 

"Enche-me o coração armar um pretexto que volte a reunir outros três ou quatro amigos de infância, de escola primária, e outros tantos amigos de rua cruz-quebradense, de escuteiros, de colégio, de banda, de turma, e todos juntos sermos o momento de que se não desiste. Foi verdadeiramente esse o motivo que me fez, com o impulso do Gustavo Silva, (...) abraçar este Jantar como a uma tabla contínua de passado, presente e futuro maciços e duráveis, que se consubstancia na nossa presença e que consegue, paradoxalmente, flexibilizar os contornos do tempo e do espaço em concavidades e convexidades que nos mantêm à tona de uma realidade que, como não me canso de escrever nesta ocasião, transcende em muito a liça cibernética, resgatando a tangibilidade dos afectos.
Sim, este jantar é um feito de todos, muito além da celebração do aniversário do blogue, e eu só posso sentir-me honrado pelo privilégio de estar convosco anualmente, nesta data, de forma espontânea, livre e desejada mutuamente."
No próximo ano cordiano prometo alimentar a página com conteúdos inéditos e inauditos que neste momento se encontram na gaveta, mas por boas razões. Este blogue é e continuará a ser o meu fiel depositório criativo. 

Como sempre nesta ocasião, o cabeçalho do Caderno de Corda encontra-se actualizado, podendo ler-se, no final da animação taylor made pelo realizador Tiago Pereira, Anno XI.

Daqui a exactamente um ano, no mesmo sítio, à mesma hora.

ASSIM foi. Assim seja.

Links para posts análogos dos aniversários anteriores:

Etiquetas: , , , , , ,

domingo, março 27, 2016

domingo, março 13, 2016

Anno XI - O Jantar (convocatória)

Quase onze anos após a criação deste blogue, que foi abraçando pretextos para a celebração da Amizade, venho pela primeira vez - sabendo de antemão que a realização do jantar pode estar em causa devido ao calendário religioso (sexta-feira santa) - colocar à apreciação dos estimados comensais a possibilidade (ou não) de alteração de data em função das disponibilidades, uma vez sabendo à partida que alguns dos nossos queridos confrades não podem, por motivos supremos e/ou familiares, comparecer à data e hora de sempre. De resto, a efeméride não pode passar sem concretização à mesa; o Caderno de Corda não se pode fazer sem isto. Sugiro, pois, que nos comuniquemos no curto prazo na caixa de comentário de Facebook criada para o efeito, a fim de decidirmos pela manutenção ou pela alteração excepcional da data. O Jantar, que se realiza invariavelmente no restaurante A Valenciana, é de participação livre e dedicado aos meus indefectíveis Irmãos cordianos, pensando também nos estimados leitores, fisicamente distantes, ou nem por isso. 'Té já.

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Para Onde Foi a Segunda-Feira?

Não é de olhos felinos que se faz o teu poema,
nem de banalidades misóginas,
obviamente camaleónicas.
Ascende, por fim, uma estrela negra de morte
quando, no centro de tudo, refulge o brilho
de uma vela solitária, incidente
sobre as pálpebras da incógnita.
Quantas vezes caíram anjos desajeitados,
entorpecidos a sedativos…
Algo sucedeu no dia em que morreste
- um espírito elevou-se um metro e pôs-se de parte;
alguém lhe tomou o lugar e chorou com bravura.
“Mas eu amo-te”, disse a faca à ferida.
Querias ainda águias reais em sonhos diurnos,
diamantes nos teus olhos,
e na vila de Ormen acende-se uma vela solitária.
Avisaste as cicatrizes e o drama,
disseste ao mundo estar em perigo,
sabias nada ter a perder,
e todos te conhecem agora
nu e livre – pássaro azul despojado.
Telúrico, lúgubre e desditoso,
adereças por fim as amantes em Nadsat e calão,
e olhas para a maravilhosa boca vermelha
dessa pega que não te viu sequer por trás do dinheiro.
Parecias desiludido agora.
Para onde foi a segunda-feira?

Poema escrito na manhã de dia 11 de Janeiro de 2016, à notícia da morte de David Bowie, no decorrer da primeira audição completa do seu último disco, "Blackstar", editado dias antes.

Dedicado a David Bowie
(8 de Janeiro de 1947 - 10 de Janeiro de 2016)

Etiquetas: ,

segunda-feira, novembro 02, 2015

A primeira vez com um bandolim nas mãos


Hoje chegou, via Thomann (UPS, mais precisamente), o meu bandolim Ibanez M510E-BS e respectivos aprestos, com cordas Elixir Nanoweb (por colocar) e estojo Rockcase RC 10641 BCT. O post justifica-se em parte pela chegada do instrumento novo, mas mereceu, na verdade, a rara distinção de feitura de um pequeno vídeo pelo facto de ter sido hoje que, pela primeira vez na vida, toquei bandolim - no caso uma pequena amostra improvisada da canção "Rise", de Eddie Vedder, que, como os conhecedores se aperceberão, não apresenta esta estrutura exacta, sendo certo que "aprendi" a canção há pouco, pelo que não sei tocá-la do princípio ao fim de acordo com a estrutura completa e correcta, e de cabeça. De resto, desconhecia até a afinação do instrumento, sendo que o bandolim chegou muito desafinado e temo mesmo que possa estar desequilibrado, uma vez que não afina na perfeição ao longo do braço - algo que terei de verificar com quem de direito em breve. Como se pode ouvir nesta gravação, o instrumento está sempre ligeiramente desafinado, mas nada que eu pudesse fazer quanto a isso, pelo menos para já... Apenas para memória futura, com dedicatória especial ao meu Irmão Ricardo Pinto, que faz 39 anos hoje.

Etiquetas: , , , , ,