terça-feira, janeiro 27, 2026

Emissão

Boa noite, estas são as notícias que marcam a actualidade.

 

[SINAL HORÁRIO]

[VINHETA DE ABERTURA]

 

Abrimos com acontecimentos de gravidade variável,

normalizados segundo critérios editoriais prioritários.

No Paquistão, um descarrilamento fez mais de cem mortos.

Sem imagens disponíveis, a emissão segue

para Trás-os-Montes, no Norte do País,

onde uma família de três foi encontrada morta.

A causa: asfixia por monóxido de carbono,

após aquecimento do quarto com um fogareiro.

O episódio ocorreu durante o sono, em vésperas de Natal.

Trinta e três, vinte e nove e quatro anos.

Ambos os progenitores tinham emprego.

 

Em clima de festa, multiplicam-se os preparativos da época.

Começam a chegar às mesas os sabores tradicionais

e as campanhas de Natal arrancam com previsões otimistas,

apesar da acentuada subida de preços.

O recurso ao crédito continua a aumentar entre os portugueses.

O endividamento das famílias atingiu níveis recorde.

 

[EXCERTO – ESPECIALISTA EM FINANÇAS PESSOAIS]


«É importante que se façam escolhas responsáveis.

O crédito deve ser usado apenas em situações de absoluta necessidade,

sob pena de comprometer o equilíbrio financeiro dos agregados.»

 

[EXCERTO – CONSULTOR FINANCEIRO]


«Cada pessoa deve conhecer os seus limites.

Muitas situações de endividamento resultam de impulsos e decisões mal planeadas.»

 

No Médio Oriente prosseguem os confrontos.

Durante a madrugada registaram-se novos bombardeamentos.

Não há, para já, confirmação do número de vítimas.

A situação mantém-se em desenvolvimento.

 

[ZAPPING]


A situação em desenvolvimento…

zap

… acompanhamento dos acontecimentos.

     zap

… do desenvolvimento dos acontecimentos…

             zap

Acontecimentos em acompanhamento.

        zap

O desenvolvimento da situação…

                     zap

… situação.

   zap

Acontecimentos.

            zap

… em desenvolvimento.

       zap

… anhamento dos acontecimentos.

 

[INTERVALO]

 

Este é o momento de fazer escolhas certas.

Escolher bem faz a diferença.

Planeie. Priorize. Controle.

Soluções simples para o seu dia a dia.

Opções pensadas para famílias responsáveis.

Pagamentos ajustados à sua realidade.

Sem excessos. Sem surpresas.

 

[EMISSÃO EM ESTÚDIO]

 

Retomamos a emissão.

Registou-se hoje a morte de uma criança

na sequência de um acidente doméstico.

As autoridades falam em «fatalidade».

 

Uma “fatalidade” evitável…

 

Os indicadores económicos revelam sinais de crescimento moderado,

num contexto ainda marcado pela incerteza dos mercados.

Verifica-se a recuperação gradual de alguns sectores produtivos,

apesar das pressões externas e do aumento dos custos.

 

O mercado de trabalho mantém-se em evolução positiva,

com níveis elevados de emprego e aumento da população ativa.

Persistem, no entanto, constrangimentos no rendimento disponível.

Os salários continuam a não acompanhar o aumento do custo de vida.

 

No plano político, o Governo reafirma compromissos

com a estabilidade e com o cumprimento de metas.

As autoridades sublinham que o atual contexto exige realismo

e decisões responsáveis pela continuidade das políticas adoptadas.

O Governo admite dificuldades causadas pelo cenário internacional,

mas garante que os sacrifícios são necessários

para assegurar a confiança externa

e a sustentabilidade do País a médio prazo.

 

No plano internacional, a instabilidade mantém-se

com o agravamento de conflitos em várias regiões.

As autoridades alertam para um contexto geopolítico imprevisível,

marcado por tensões persistentes e riscos acrescidos para a segurança.

Perante a escalada de tensões, é considerada inevitável

a necessidade de reforço dos meios de defesa

e do investimento em dispositivos de segurança e áreas estratégicas.

 

Os mercados mantiveram uma trajetória positiva,

com valorização generalizada dos principais índices.

O desempenho reflete a confiança na solidez do sistema

e na sua continuidade operacional.

Os analistas sublinham a normalização de um panorama exigente

e a absorção das tensões em curso,

afastando receios imediatos quanto à estabilidade

dos ganhos das principais praças e dos investidores.

Para já, não são identificados riscos relevantes

para o funcionamento do sistema monetário.

 

Um novo indicador pretende medir, num só número, o estado geral do mundo,

cruzando dimensões económicas, sociais e geopolíticas.

Crescimento económico, rendimento disponível,

níveis de emprego, acesso à habitação, estabilidade política,

conflitos armados, investimento em defesa,

confiança dos mercados e perceção de risco social,

bem como a evolução dos grandes fluxos financeiros

e do património concentrado nos principais centros de decisão.

 

Tudo reduzido a um único índice.

 

De acordo com os chamados “arquitetos” da tecnologia,

a criação de um indicador único permite organizar a leitura

de um cenário marcado por múltiplas variáveis simultâneas,

convertendo complexidade em síntese,

apesar da deterioração das condições de vida

em amplos segmentos da população mundial.

A simplificação é apresentada como condição necessária

para apoiar decisões, definir prioridades

e manter a coerência do sistema,

em contextos de elevada complexidade.

Os dados apurados situam-se, assim,

dentro de parâmetros considerados aceitáveis.

Não são identificados riscos sistémicos imediatos

para o funcionamento global do sistema

nem sinais de rutura estrutural,

e o resultado reflete ganhos consistentes nos principais mercados,

níveis elevados de rentabilidade no topo da cadeia económica,

forte valorização dos grandes patrimónios,

fluxos financeiros estáveis,

capacidade de absorção de choques

e margens de ajustamento ainda disponíveis.

Apesar da redução do poder de compra,

da compressão salarial,

do agravamento do custo da habitação,

da generalização da precariedade,

do aumento do número de trabalhadores pobres,

da intensificação dos conflitos armados,

do alargamento das zonas de exclusão,

da normalização da desigualdade como condição de funcionamento.

No conjunto, o indicador aponta para um cenário global funcional.

O rating “suficiente” valida a continuidade do modelo vigente.

 

[PAUSA PROLONGADA]

 

Os dados foram hoje apresentados

num relatório conjunto das entidades competentes,

que sublinham a robustez dos mecanismos de monitorização

e a capacidade de resposta do sistema

a cenários adversos de elevada pressão.

 

[SUOR VISÍVEL]

 

O documento destaca ainda a importância de mentir

— de manter, aliás —

uma leitura integrada dos fenómenos em curso,

evitando alarmismos

e interpretações precipitadas.

 

[AJUSTA A GRAVATA]

 

As conclusões apontam para a necessidade de continuar

a acompanhar a evolução da situação,

com especial atenção aos indicadores-chave

definidos pelas instâncias de regulação.

O relatório refere que a estabilidade observada

assenta num conjunto articulado de mecanismos técnicos,

processos de correção contínua

e medidas de contenção sucessivas,

aplicadas em diferentes planos de atuação.

A análise integrada dos dados

aponta para a necessidade de prudência,

de continuidade estratégica

e de confiança nos instrumentos existentes,

considerados adequados

para responder a flutuações prolongadas

em contextos de elevada pressão.

 

[OLHA PARA BAIXO]

 

No plano nacional, gerou polémica uma intervenção do Ministro da Educação,

ao afirmar que residências universitárias ocupadas maioritariamente

por alunos de rendimentos mais baixos

tendem a degradar-se mais rapidamente,

por falta de conservação adequada.

 

Segundo o governante,

«quando os serviços públicos são utilizados apenas pelos mais pobres,

acabam por se degradar».

 

[PAUSA BREVE]

 

Organizações de estudantes e sindicatos reagiram às declarações,

classificando-as como estigmatizantes

e acusando o Governo de associar pobreza

à degradação dos serviços públicos.

 

Dados hoje divulgados indicam que uma parte significativa

dos trabalhadores em Portugal permanece em risco de pobreza,

apesar de exercer atividade profissional.

Os números confirmam que o emprego, por si só,

já não assegura condições mínimas de vida digna.

O rendimento do trabalho revela-se insuficiente

para responder ao aumento dos custos essenciais,

com destaque para a habitação, a alimentação e a energia.

A estatística aponta para um crescimento sustentado

do número de trabalhadores pobres,

num contexto de emprego elevado

e atividade económica regular.

 

[PAUSA PROLONGADA]

 

Dados divulgados esta semana indicam um crescimento expressivo

do património dos grandes grupos económicos

e das grandes fortunas.

 

[AJUSTA A GRAVATA — NÃO CONSEGUE]

 

Os números apontam para ganhos acumulados

na ordem de dezenas de milhares de milhões,

concentrados num número cada vez mais reduzido de titulares,

num contexto de valorização acelerada de ativos financeiros

e reforço da rentabilidade do capital.

 

[RESPIRA FUNDO]

 

O relatório refere que a criação de riqueza

se mantém robusta nos estratos superiores,

com aumento significativo dos dividendos,

da capitalização bolsista

e da valorização dos grandes patrimónios.

 

[AJUSTA A GRAVATA — MAIS RÁPIDO]

 

A análise sublinha que a evolução

não constitui um desvio,

mas uma consequência direta

do normal funcionamento do modelo económico,

considerado eficiente na geração de valor

e na maximização de retornos.

 

No desporto, o Benfica venceu esta noite por três bolas a zero

em jogo a contar para a Liga dos Campeões.

A equipa apresentou-se segura,

com domínio claro ao longo dos noventa minutos

e eficácia no momento decisivo.

Com estes três pontos, as águias mantêm-se

na luta pelo apuramento directo,

alimentando as expectativas dos adeptos

de um grande Benfica europeu.

Milhares celebraram a vitória

em vários pontos do País.

 

Para amanhã, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê

céu geralmente nublado,

com períodos de chuva fraca no litoral norte e centro.

A temperatura mínima deverá descer ligeiramente,

com formação de geada em algumas regiões do interior.

 

[BREVE PAUSA]

 

As temperaturas…

as temperaturas máximas…

 

[CORRIGE]

 

As temperaturas mínimas deverão registar

uma ligeira descida.

 

[RESPIRA FUNDO]

 

O frio intensifica-se sobretudo durante a noite,

com especial impacto nas zonas mais vulneráveis.

 

[REAJUSTA A GRAVATA]

 

No interior,

as mínimas poderão atingir valores próximos de zero.

 

[SILÊNCIO CURTO]

 

No litoral, o vento soprará fraco a moderado,

rodando para norte ao longo do dia.

No interior, o frio será mais intenso durante a madrugada,

com descida acentuada das temperaturas mínimas.

 

[PAUSA BREVE]

 

As autoridades recomendam

especial atenção aos grupos mais sensíveis,

nomeadamente crianças, idosos

e pessoas em situação de vulnerabilidade.

 

[ALARGA O NÓ DA GRAVATA]

 

Aconselha-se o reforço do aquecimento

e a adoção de comportamentos preventivos,

de forma a evitar riscos desnecessários.

 

[OLHA PARA O TELEPONTO]

 

O frio vai provocar

— poderá provocar —

 

[PIGARREIA]

 

constrangimentos

a populações mais expostas.

 

[INSPIRA, FECHA OS OLHOS]

 

Populações mais expostas

a habitações mal isoladas,

a soluções de aquecimento improvisadas,

a rendimentos insuficientes.

 

Demasiado expostas

para responder

às condições climatéricas adversas.

 

[OLHA PARA O TELEPONTO]

 

As autoridades recomendam

a adoção de medidas preventivas

em períodos de frio intenso.

 

[PAUSA]

 

Medidas preventivas.

 

[CORRIGE]

 

Medidas adequadas

para evitar riscos evitáveis.

 

[SILÊNCIO CURTO]

 

Riscos evitáveis.

 

[REAJUSTA A GRAVATA]

 

Sempre que possível.


[VOZ NA ESCUTA]

 

— mantém-te no texto! —

 

[PAUSA. INDICAÇÃO DA RÉGIE]

 

Prosseguimos.

 

[OLHA PARA O TELEPONTO]

 

Prosseguimos com dados

e mortes. Números. Mercados.

Com frio. Com trabalho.

Com índices que sobem

e corpos que adormecem a morte.

Com crescimento moderado,

risco controlado e pobreza funcional.

Pobreza emocional.

Com emprego elevado

e vidas curtas.

Com previsões otimistas e noites geladas.

Com confiança dos mercados e fogareiros acesos.

Com estabilidade. Com esforço necessário.

Com gráficos verdes e quartos viciados.

Com rentabilidade robusta e respirações contadas.

Com rating suficiente.

Suficiente.

 

[PAUSA]

 

O fogareiro custava menos

do que um bilhete para o jogo.

No estádio há aquecimento.

No salário, contenção.

Mais golo, menos golo,

expropriam-se milionários;

redistribuem-se os salários.

Respira-se no quarto.

 

[VOZ NA ESCUTA]

 

— fecha com o Natal! —

 

[ENTREDENTES]

 

Ignorance is bliss…

 

[OLHA PARA O TELEPONTO]

 

Aproveitamos para desejar

a todos os telespectadores

um Natal…

 

[PAUSA]

 

feliz,

 

[RESPIRA FUNDO]

 

com saúde.

 

[VOZ NA ESCUTA]

 

— segue, segue —

 

[ATRASO DE SOM]

 

A emissão…

 

[GLITCH]

 

prossegue.

 

[OLHA PARA A CÂMARA]

 

Não mostramos tudo.

 

[PAUSA CURTA]

 

Não é por falta de imagens.

 

[SILÊNCIO]

 

Há imagens.

Há sempre imagens.

 

[CLOSE UP LIGEIRO]

 

Não passam porque não passam no crivo.

Não passam no alinhamento.

Não passam porque não cabem no tempo.

Não passam porque não fazem raccord;

não servem o enquadramento.

 

[PIGARREIA]

 

Não passam porque perturbam.

 

[VOZ MAIS BAIXA]

 

Porque fazem perguntas erradas.

Porque apontam para cima.

Porque não terminam onde devem.

 

[VOZ NA ESCUTA]

 

— mantém-te no texto —

— não é por aí —

— fecha —

— estamos no ar —

 

[SILÊNCIO MAIS LONGO]

 

O critério chama-se interesse.

Interesse editorial.

Interesse estratégico.

Interesse comercial.

 

Assim:

o que mantém a confiança, fica.

o que ameaça a confiança, sai.

 

Confiança de quem paga.

De quem investe.

De quem decide.

 

[OLHA PARA BAIXO]

 

Confiança dos mercados.

Confiança dos anunciantes.

Confiança do sistema.

 

[PAUSA]

 

Não é censura.

É curadoria.

 

[PEQUENO RISO SECO — SEM HUMOR]

 

Escolhemos o sofrimento legível.

O sofrimento distante.

O sofrimento sem nome.

 

Cortamos o resto.

 

[VOZ TRÉMULA]

 

Cortamos quando o corpo é demasiado próximo.

Quando a criança tem o rosto de um anjo.

Quando o sangue se confunde com o grafismo.

 

[PAUSA]

 

Eu li os cortes.

Respeitei os tempos.

Obedeci aos sinais no ouvido.

 

[VOZ NA ESCUTA — DISTANTE]

 

— volta ao texto! —

 

[IGNORA]

 

Durante anos. Décadas.

 

[SILÊNCIO]

 

Eu disse:

«Não há confirmação independente.»

«As imagens são fortes.»

«Não podemos mostrar.»

 

[ENGOLE EM SECO]

 

Disse eu.

 

[PAUSA PROLONGADA]

 

Perdão.

Não por errar.

 

Por saber.

 

[SILÊNCIO ABSOLUTO NO ESTÚDIO E NA RÉGIE]

 

Eu também calo e como.

 

[OLHA FIXAMENTE PARA UM MONITOR FORA DE CÂMARA]

 

Mas eu vejo.

 

Vejo a criança com as unhas sujas de fezes.

Vejo o quarto enegrecido do fogo.

Vejo o fogareiro: três brasas pequenas, culpa inteira;

mãos cheias de nada ao passar dos meses;

a mágoa de um pai que o foi até à madrugada.

 

Vejo o papel de parede a descascar.

Um mapa gasto de Trás-os-Montes,

dobrado pela humidade e pelo frio.

Por baixo, um calendário antigo:

 

Dezembro.

Natal circulado a lápis de cera.

 

[SILÊNCIO PROLONGADO]

[RESPIRA FUNDO. A CÂMARA PERMANECE FIXA]

 

Vejo o índice subir em flecha

cravada no peito do pai.

Ficou no chão, embalado

numa siesta de ratings,

colado à fuligem da cozinha,

entre um suspiro e um ai

de morte suficiente.

 

Vejo o mofo escalar o papel de parede,

um mapa fumado,

um enchido transmontano,

um gráfico, uma malha, uma rede

na garganta do filho.

O mesmo molde, o mesmo fungo,

o mesmo bafio sombreado a verde

nas estatísticas do frio.

 

[PAUSA. BIP DESFASADO]


Vejo o cão à porta.

Uma, duas, três almas

irrompem pelas fissuras do telhado

como nuvens de vapor;

curvas verdes no ecrã,

de subtil gás a entrar; ar a sair

no noticiário das oito.

Sobe o lucro. Desce o oxigénio.

 

[BIP IRREGULAR. ESTÁTICA. RUÍDO ELETROACÚSTICO. VOZ NA ESCUTA]

 

— … estamos no ar, porra!… –

 

[SEGURA UMA CANETA COMO UM OSSO CONTUNDENTE. A CÂMARA TREME]

 

O ar do estúdio, climatizado,

cheira a contrato a prazo,

monóxido de carbono,

Inverno isolado a fita,

números, poeira, chumbo,

silêncio e asfixia.

O ar não é neutro.

Cheira a Trás-os-Montes

e soa à mesma sentença,

ao mesmo relatório.

 

Vejo o frio a entrar

pelo fio das janelas

e o ecrã a sorrir com os meus olhos

no quarto onde morriam crianças.

Eu a transitar de notícia em notícia

para a vitória do Benfica.

Eu sorria.

S

  o

    r

      r

        i

          a

 

[RESPIRAÇÃO. O SOM DO PRÓPRIO PEITO]

 

Estamos todos no mesmo quarto.

Uns à janela. Outros à porta.

Sentimos o frio algorítmico

das coisas certas como o destino

– as conta de gás, água e luz

num prosema sísmico, assassino,

escrito sob um vão de porta

(de preferência em parede mestra).

 

Vejo o frio a violar o fio das janelas.

É o suficiente. Su-fi-ci-en-te.

A morte é certa.

 

[INTERFERÊNCIA. ZOOMS INDECISOS. VOZ NA ESCUTA]

 

— … chega! –

 

[SILÊNCIO TOTAL]

[PIXELIZAÇÃO. ECRÃ PRETO. 16 LONGOS SEGUNDOS]

[GLITCH TÉCNICO. IMAGEM RECOMPÕE-SE. O MESMO CENÁRIO. A MESMA MESA.
UM LOCUTOR ESTREANTE LÊ EM TOM PROFISSIONAL]

 

Atenção às populações mais vulneráveis:

idosos, crianças,

trabalhadores em situação precária.

Recomenda-se

que mantenham a casa aquecida,

sempre que possível.

 

Deve evitar-se a utilização de fogareiros,

braseiras ou quaisquer equipamentos

de combustão desprotegida

em espaços mal ventilados,

de modo a prevenir a acumulação

de monóxido de carbono.

 

Sempre que possível.

 

[PAUSA CLÍNICA DE DOIS SEGUNDOS. OLHA DIRETO PARA A CÂMARA]

[A IMAGEM DO ECRÃ DE FUNDO DO ESTÚDIO MUDA SUBITAMENTE PARA O FOTOGRAMA DE UM CALENDÁRIO COM O NATAL RISCADO A LÁPIS DE CERA]

 

Boa noite. Feliz Natal.

 

[VINHETA DE ENCERRAMENTO]

Etiquetas: , , , ,