quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Poema cordiano na antologia de poesia "Divina Música"

Capa e paginação de Inês Ramos

Abri hoje a caixa de correio e, lá dentro, um pacote com dois livros. Assim soube que já foi publicada a obra "Divina Música - Antologia de Poesia sobre Música", na qual se inclui um poema inédito de minha autoria. Organizada pelo poeta Amadeu Baptista, comemorativa do 25.º aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu (1985-2010) e com o apoio da Proviseu (Associação para a Promoção de Viseu e Região), esta antologia de poesia contemporânea acolhe cento e trinta poemas de outros tantos poetas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste, onde constam muitos dos grandes nomes da poesia portuguesa contemporânea e da literatura dos países lusófonos. O trabalho de Amadeu Baptista e Inês Ramos resultou num belíssimo volume de 188 páginas no qual colaboraram:
Adalberto Alves (Portugal)
Affonso Romano de Sant’Anna (Brasil)
Albano Martins (Portugal)
Alexandra Malheiro (Portugal)
Alexandre Vargas (Portugal)
Alexei Bueno (Brasil)
Amadeu Baptista (Portugal)
Ana Hatherly (Portugal)
Ana Luísa Amaral (Portugal)
Ana Mafalda Leite (Portugal)
Ana Marques Gastão (Portugal)
Ana Salomé (Portugal)
Ana Sousa (Portugal)
António Brasileiro (Brasil)
António Cabrita (Portugal)
António Cândido Franco (Portugal)
António Ferra (Portugal)
António Gregório (Portugal)
António José Queirós (Portugal)
António Osório (Portugal)
António Rebordão Navarro (Portugal)
António Salvado (Portugal)
Artur Aleixo (Portugal)
Bruno Béu (Portugal)
C. Ronald (Brasil)
Camilo Mota (Brasil)
Carlos Felipe Moisés (Brasil)
Carlos Garcia de Castro (Portugal)
Casimiro de Brito (Portugal)
Cláudio Daniel (Brasil)
Cristina Carvalho (Portugal)
Daniel Abrunheiro (Portugal)
Daniel Maia-Pinto Rodrigues (Portugal)
Danny Spínola (Cabo Verde)~
Davi Reis (Portugal)
Donizete Galvão (Brasil)
E.M. de Melo e Castro (Portugal)
Edimilson de Almeida Pereira (Brasil)
Eduardo Bettencourt Pinto (Angola)
Eduíno de Jesus (Portugal)
Ernesto Rodrigues (Portugal)
Eunice Arruda (Brasil)
Fernando de Castro Branco (Portugal)
Fernando Echevarría (Portugal)
Fernando Esteves Pinto (Portugal)
Fernando Fábio Fiorese Furtado (Brasil)
Fernando Grade (Portugal)
Fernando Guimarães (Portugal)
Fernando Pinto do Amaral (Portugal)
Francisco Curate (Portugal)
Gonçalo Salvado (Portugal)
Graça Magalhães (Portugal)
Graça Pires (Portugal)
Henrique Manuel Bento Fialho (Portugal)
Hugo Milhanas Machado (Portugal)
Iacyr Anderson Freitas (Brasil)
Inês Lourenço (Portugal)
Isabel Cristina Pires (Portugal)
Jaime Rocha (Portugal)
Joaquim Cardoso Dias (Portugal)
João Aparício (Timor-Leste)
João Camilo (Portugal)
João Candeias (Portugal)
João Manuel Ribeiro (Portugal)
João Moita (Portugal)
João Rasteiro (Portugal)
João Rios (Portugal)
João Rui de Sousa (Portugal)
João Tala (Angola)
Joaquim Feio (Portugal)
Jorge Arrimar (Angola)
Jorge Reis-Sá (Portugal)
Jorge Velhote (Portugal)
José Agostinho Baptista (Portugal)
José Carlos Barros (Portugal)
José do Carmo Francisco (Portugal)
José Luís Mendonça (Angola)
José Luís Peixoto (Portugal)
José Manuel Vasconcelos (Portugal)
José Mário Silva (Portugal)
José Miguel Silva (Portugal)
José Tolentino de Mendonça (Portugal)
Júlio Polidoro (Brasil)
Levi Condinho (Portugal)
Luís Amorim de Sousa (Brasil)
Luís Filipe Cristóvão (Portugal)
Luís Quintais (Portugal)
Luís Soares Barbosa (Portugal)
Manuel A. Domingos (Portugal)
Margarida Vale de Gato (Portugal)
Maria Andersen (Portugal)
Maria Estela Guedes (Portugal)
Maria João Reynaud (Portugal)
Maria Teresa Horta (Portugal)
Miguel-Manso (Portugal)
Miguel Martins (Portugal)
Myriam Jubilot de Carvalho (Portugal)
Nicolau Saião (Portugal)
Nuno Dempster (Portugal)
Nuno Júdice (Portugal)
Nuno Rebocho (Portugal)
Ondjaki (Angola)
Ozias Filho (Brasil)
Patrícia Tenório (Brasil)
Paula Cristina Costa (Portugal)
Paulo Ramalho (Portugal)
Paulo Tavares (Portugal)
Prisca Agustoni (Brasil)
Risoleta Pinto Pedro (Portugal
Roberval Alves Pereira (Brasil)
Rosa Alice Branco (Portugal)
Rui Almeida (Portugal)
Rui Caeiro (Portugal)
Rui Cóias (Portugal)
Rui Costa (Portugal)
Ruy Ventura (Portugal)
Sara Canelhas (Portugal)
Soledade Santos (Portugal)
Teresa Tudela (Portugal)
Torquato da Luz (Portugal)
Urbano Bettencourt (Portugal)
Vasco Graça Moura (Portugal)
Vera Lúcia de Oliveira (Brasil)
Vergílio Alberto Vieira (Portugal)
Victor Oliveira Mateus (Portugal)
Virgílio de Lemos (Moçambique)
Vítor Nogueira (Portugal)
Vítor Oliveira Jorge (Portugal)
Yvette K. Centeno (Portugal)
Zetho Cunha Gonçalves (Angola)

Eis "Matilda", o meu mui humilde contributo, com um agradecimento especial a Amadeu Baptista e Rui Almeida:
* Matilda *

Tam-tam!
Oboés, flautas e violinos.
Maviosa, uma escultura de bronze
pedida por Claudel a violoncelos e clarinetes
que murmurassem "Matilda".
Ela apareceu em três tempos,
valsando lenta, suada entre dedos
no Adeus de Kundera,
que em cinco letras
a agarrou pela cintura
como valsador heterodoxo,
mas nem por isso inconveniente.
Vibrafónico, Ravel é então atiçado
pelos seios aprisionados da australiana.
Ternário, num pizzicato errático,
deita os olhos sobre os dois
- Matilda e Kundera -,
num redemoinho de girassóis
que cintilava ao som do glockenspiel.
Os pares enlaçados já não se distinguiam
numa multidão de nébulas bailantes
e pretendentes sedentos e solitários
junto ao Danúbio de lustres e candelabros,
nunca narrado na cantiga do trabalhador itinerante
que bebia chá e roubava ovelhas para comer.
Em três tempos, três polícias foram prendê-lo.
"Vocês nunca me apanharão vivo", disse,
sem a joie de vivre de outras valsas carentes,
de mão atrás e outra à frente.
Afogou-se num regato e Matilda não sei quem seja.

Etiquetas: , , , , ,

10 Comments:

Blogger Ricardo Cruz e Costa said...

Lume
Corro perplexo, prometido das lendas
E dos tabus,
Das histórias da montanha desenhadas nas fendas
E dos preconceitos e certezas
De quem corre com os cotovelos nus.
Corro disperso,
Cortês para com a mente que trabalha,
Sozinha à luz da vela e ao som da navalha.
Não há voz nem melodia, apenas...
Um vociferar confortável que me chega da esquerda,
Junto à janela.
Cerveja e mortalhas...
E o fumo diletante que foge para aquela esquerda.
Enquanto Waits berra baixinho,
O piano sossegado pela cortesia
E o branco desmaiado do cubículo
Sussurram... para não afectarem a cegueira
E o sorriso mudo de quem bate no teclado.
A cabeça tomba para trás
E para a frente
Ao ritmo infernal, quase abdominal,
Rasgando as entranhas do homem
Oferecendo o poeta que, agora,
Nada mais exige.
O formigueiro das aventuras de papel
Espreita, curioso, as escalas intermináveis
Dos dedos que não se cansam,
Das ideias que não amansam.. e fogem,
Debaixo dos olhares turvos,
Pelo buraco da fechadura da porta da rua.
Corro imerso, disperso, perplexo,
Afogado no caudal da minha droga perfeita:
O bater de mim próprio
Que enche e quase rebenta..
Força Tom, dá-me lume!!

sábado, fevereiro 13, 2010 1:05:00 da manhã  
Blogger Davi Reis said...

Muito obrigado, Ricardo... Não deixes o frio entrar. :)

Um abraço fraterno

domingo, fevereiro 14, 2010 5:37:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Impossível escrever algo similar a "Matilda", tão tua, ou algo que se aproxime de quem tão bem te conhece e corre imerso, disperso, perplexo mas que, estou certa, não se deixa afogar. A sua droga perfeita, quando o enche, só pode fazê-lo elevar!

Mas é possível encher o peito com a vontade, o querer de - Matilda e Kundera. Juntos nem se distinguem mas, Outros, para além do seu Criador, os sentem...pois revolvem, fazem mexer o que mais puro há em nós.

A mim...mexe-me forte a Saudade!
Nem pensar...
Não vou deixar que ela me afogue num regato!

Mas admito...porque sou assim,
não escondo.
Prefiro enfrentar..
Em pé com aparência forte
Ou mesmo acabrunhada a chorar...
esta saudade que me come.

Tenho saudade do tempo
de miúda, super-mexida,
pequena, pouco franzina
que corria veloz,
passando a bola
aqui e além...
Nos pátios ou nas praias,
entre miudagem graúda
ora animada, ora sisuda,
ouvia-se:
Vai "Pélezinho de saias!"

Tenho saudades da minha Terra,
onde a felicidade andava nua
porque vivia eterna e crua,
sem imaginar existir guerra!

Tenho saudades de ti
Sim, cidade do meu coração!
Aí cresci e nasci
Vivi tarde uma ilusão!

Tenho saudades tantas, tantas
daquele tempo de inocência,
em que me davam missangas
sem qualquer maledicência.
Estendiam-me mãos com pitangas.
Não havia odor de ganância!

Tenho saudades da vista
do alto daquela janela,
vertendo para o horizonte,
um sonho, longa quimera!

Tenho saudades do que senti,
de todo um enorme passado..
tão grandes...
não me cabem aqui!
Tudo estará acabado?

Não quero mais saber,
Vai-te saudade embora.
Deixa-me o presente viver,
Vai-te daqui para fora!

Li nos olhos, em poemas,
o que pensei ser verdade!
Mas saudades tamanhas,
toldam a realidade!

Por isso, não quero mais
viver o passado antigo.
Conheço bem o presente.
Deixa-o, que venha comigo!

Esperei horas pelo passado.
Uma a uma foram caindo
como gotas de orvalho.
Deixo-as agora dormindo!

Haveria de sangrar de tanta saudade?

Sou forte, estou inteira...
...estou pronta
Não parece mas é verdade,
nada me abala,
...nenhuma afronta.
Cresci, estou dura..
...sou outra!

Mas mantenho o direito de ter saudade
de tudo o que me é mais sagrado.
Direito de viver o presente ou o passado,
Direito a ter a minha alegria,
ser bem-disposta, retrato de sã folia.
De ser sempre presença amiga.
De ser feliz,
a qualquer hora do dia!!

Deixa a saudade morrer!
Ou talvez não.
Deixa a saudade cair,
e dá-lhe uma mão,
forte, confiante e segura,
para ela aprender:
"É mau gerar dor em demasia!"

PS. Estou certa que se já ocorreu o lançamento do teu segundo de poesia, o mesmo foi um sucesso! Tenho andado ausente....porque, não é que tens razão?! Às vezes o silêncio é do Ouro mais puro que possa existir. Principalmente o silêncio interior. Eu acho! Mas, claro que cada um sabe de si!

Felicidades por todas essas tuas andanças!!

Um abraço

quarta-feira, fevereiro 17, 2010 5:27:00 da manhã  
Blogger Davi Reis said...

Querida leitora teimosamente anónima,

o lançamento ainda não decorreu... Tenho aguardado pacientemente pela conclusão da nota introdutória do livro, cujo autor é... muito especial. :)

O silêncio é de Ouro!

Muito obrigado.

Um Abraço

quinta-feira, fevereiro 18, 2010 6:08:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Antes de mais eu é que estou grata por tão gentil tratamento. Sabe sempre bem "ouvir" que somos bem-vindos, que nos acolhem mesmo quando nem sequer nos conhecem.

Ficando, agora, também expectante pelo autor da nota introdutória reforço meu agradecimento por feedback que me possas dar após o lançamento do teu novo livro de poesia. Embora, por tudo o que vemos no "Caderno de Corda", esteja plenamente convicta de que será um enorme êxito!

Contudo, fazendo jus ao epíteto que tão certeiramente me atribuíste ("teimosamente anónima"), como não poderei estar presente em tão especial ocasião se for possível adiantares sintese que seja, seria muito bom. Caso contrário, ...fico feliz na mesma pois, a verdade é que: Antes de ser (formalmente dado a conhecer) eu cá já sei que foi um sucesso!

Quanto a Anonimatos...não resisto a comentar...sorry!

Sem dúvida que o conhecimento pessoal é sempre diferente, especial.
Por isso, o que têm de bom as novas tecnologias tb pode ser redutor.
Por outro lado, quando já se conhece tanta gente, como penso que a ti também te sucede, para quê o conhecer "face to face"?

Às vezes nem conseguimos dar o tempo que desejaríamos a quem tanto devemos (pais, avós...), a quem há muito conhecemos (estar com amigos de infância, adolescência.....), a tantas pessoas que queremos do fundo do coração!

Enfim...divagações! É verdade..posso ter o meu tempo ocupado até à "ponta dos cabelos"...mas divagar faz-me bem a....sei lá...Faz-me bem e pronto! Estás a ver..tipo menina mimada...

Ena!..mas não penses que é do género que faz birra, bate com o pé no chão e dá show. Nem pensar!!! Dar nas vistas não é comigo...desloquem holofotes para outro lado...que aqui é tudo super-normal!

Bem..não te tomo mais tempo. Apenas termino dizendo algo que...lá está....me apetece dizer, não me apetece conter!!

Ok...sou super-frontal mas, acredita, dou o máximo por envolver as minhas palavras em mil cuidados (pensando e repensando antes de verbalizar o que quero dizer). No fundo acredito que, querendo e tendo a obrigação de ser transparente, tal não me dá o direito de ferir os Outros.

Por isso, aqui vai:
- DR, parece-me que já somos dois "teimosamente anónimos", não te parece??!!!
(tb tem tal função usarmos pseudónimos)

Um abraço e 1 excelente fs!

sábado, fevereiro 20, 2010 2:30:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Caro Autor do Caderno de Corda (blogue que tanto admito, pela escrita corrida e sentida, músicas incluídas, exposição de ideias arrojadas...enfim...),

Apenas incomodo para adiantar:
Espero que não tenha levado a mal a minha forma de ser, demasiado franca/directa (admito!), principalmente quando...me cubro de palavras que me vêm à mente num espaço que é seu...não tenho esse direito!
(posso ser impulsiva mas tenho qb de pessoa reflexiva).

Lamento se, porventura, fui inconveniente, me "meti em seara alheia",...

Por tal, naturalmente, aqui apresento sincero pedido de desculpa!

terça-feira, fevereiro 23, 2010 9:08:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Pois é...como as pessoas são tão diferentes!! Ainda bem que assim o é, sem dúvida!

Porque será que, para mim, silêncio em demasia me "afoga"(mesmo sabendo que é de Ouro)?

Será que é por isso que, na minha vida, não obstante o meu trabalho ser motor da minha vida (correndo lindamente..graças a Deus, ao factor sorte e, muito sinceramente, a um mar imenso de trabalho à mistura)...questões materiais me passam completamente ao lado? Agora da família, amigos, tudo o que envolve relações interpessoais...isso sim..não prescindo!!

O lançamento já ocorreu? Estará para breve...confesso curiosidade...

Na expectativa que tudo esteja a correr pelo melhor, despeço-me.

Um abraço

quarta-feira, março 03, 2010 11:41:00 da tarde  
Blogger Valdecy Alves said...

Amigos poetas blogueiros, parabéns por utilizarem a internet como forma de dividir com o mundo o seu pensar, o seu compreender, desempenhando a missão do poeta que é se afirmar como ser humano, sobretudo perante si mesmo, captar os arquétipos coletivos de sua época e princípios universais, permitindo após compreender-se ou não compreender-se, que pela sua obra os da sua época tenham referência alternativa para fazer a leitura do mundo e as gerações posteriores entenderem a própria história da humanidade. Tudo temperado pelo sonho, pela sensibilidade e pela utopia. PASSOU A ÉPOCA DE ESCREVERMOS E GUARDAR NA GAVETA NOSSAS CRIAÇÕES DEPOIS DOS MAIS PRÓXIMOS FINGIREM TER LIDO PARA NOS AGRADAR. Através do meu blog quero aprensentar-lhes a video-poesia, que usa várias linguagens de uma só feita, a serviço do texto. Se gostar divulgue e compartilhe com os seus contatos. Acessar em:

www.valdecyalves.blogspot.com

quarta-feira, maio 12, 2010 7:54:00 da tarde  
Blogger Ricardo Cruz e Costa said...

De nada Hugo. Estou a ver se o frio fica lá por fora. :)
Ricardo Cruz e Costa

domingo, abril 10, 2011 10:41:00 da tarde  
Blogger a clave de fá said...

Parabens pelo blog, é ótimo! Ótimos poemas!Fique à vontade para visitar meu blog. há postagens que talvez te interessarão, pois seu "gosto" pela literatura é refinado. Talvez a postagem "nova poesia marginal" lhe será util, ela trata de uma novíssima geração de poetas brasileiros.

http://semioticaeminimalismo.blogspot.com/

terça-feira, abril 26, 2011 1:24:00 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home