sexta-feira, agosto 17, 2018
No passado dia 7 de Julho fiz-me à estrada às 7 da manhã para estar no Pragal pela fresquinha, prestes a enfrentar um dia de calor, à torreira do sol, para homenagear o Zé Pedro e os Xutos & Pontapés numa interpretação massiva de "Não Sou o Único" pelos fãs da banda com vista à posterior realização do vídeo que aqui se divulga.
Eram para ser 1000 mas foram menos - cerca de 700, mais coisa, menos coisa. A organização foi esforçada, mas talvez carecesse de mais meios para atingir os resultados a que se propusera. Pela minha parte, foi um dia necessário, já que eu não me furtava à homenagem, ainda que preferisse associar-me a um evento no qual a organização não se colocasse tanto no centro dos acontecimentos.
Houve pessoas que voaram de Inglaterra para Portugal e outras que atravessaram o País para estar presentes. Pessoas que se prepararam em casa para tocar como se do seu instrumento dependesse o sucesso do evento, mas que, infelizmente, praticamente nem aparecem no vídeo (ou não aparecem mesmo), dando-se primazia a uma massa de gente no coro que certamente não teve de carregar material pesado ou fazer trabalho de casa, a alguns dos organizadores e aos chamados "líderes de naipe", cujo trabalho de preparação podia ter sido melhor sob alguns aspectos.
A título de exemplo, e aqui numa crítica declarada à edição de vídeo, no momento do solo de guitarra o que vemos é uma mole de gente no coro com braços no ar e... mais braços no ar quando havia dezenas de músicos destacados numa fileira de guitarras solo aos quais não é dado um segundo, senão um destaque já descontextualizado do solo para o "líder de naipe", a posteriori... Frequentemente vemos também planos de corte de instrumentistas e vozes desfasados do tempo da acção e da música...
Enfim, não querendo ser tão crítico como poderia (podia ir mais longe), devo dizer que o dia se passou bem, especialmente tendo em conta que estive na companhia de um amigo feito in loco, o guitarrista Nuno Conde, a quem fiquei a dever o facto de não ter apanhado um escaldão à séria graças ao protector solar dos filhos dele.
quinta-feira, junho 07, 2018
quarta-feira, dezembro 06, 2017
Zé Pedro
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| Foto: Carlos Mateus de Lima |
Logo, por volta das 21 horas, a convite do querido amigo Mário Rodrigues, terei a honra de estar em directo na rádio RCA - Ribatejo (104.00 FM) em homenagem singela mas significativa ao nosso já saudoso Zé Pedro. Para Sempre.
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quinta-feira, novembro 30, 2017
Para Sempre
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Foto de Carlos Mateus de Lima
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Um ídolo pela aura; um amigo pela humildade, pela bondade,
pela simplicidade e por tudo o que me deu sem saber. Parcas palavras para
mistificar a morte de um ícone da cultura portuguesa. Da cultura que, desde
menino, apreciei e até mimetizei.
Cantei, na escola primária, perante pais e alunos, os Xutos.
Na escola secundária fiz uma banda que os tinha como referência. Mais tarde fui
à televisão com a banda da minha vida e tocámos... Xutos. É possível que a
canção que mais vezes tocámos tenha sido a "Casinha".
Entrevistei-o várias vezes como jornalista. Vi, em preview,
ao seu lado, cadeira com cadeira, o documentário "Twenty", dos Pearl
Jam, no cinema Alvalade XXI. Trocámos ideias, gostos e alguns momentos.
Não me recordo de tudo, mas lembro-me perfeitamente da
primeira vez que o conheci pessoalmente, era eu ainda adolescente, numa semana
de sete dias em que vi os Xutos tocar quatro ou cinco vezes. O Zé estava na
loja de conveniência da minha rua, em Lisboa, onde eu ia comprar tabaco.
Enchi-me de coragem e cumprimentei-o. Ele estava acompanhado. Quando, depois de
dizer-lhe que o concerto da noite anterior tinha sido óptimo, o ia deixar, foi
o companheiro dele que disse conhecer-me, que tinha sido porteiro de um bar
onde os Baby Jane haviam tocado umas semanas antes - e a conversa
recomeçou.
Eu tinha uma banda e o Zé Pedro interessou-se;
disponibilizou-se para ouvir uma maqueta que nunca lhe fiz chegar. Não lhe pedi
nada. Era o Zé Pedro, o nosso Zé Pedro. O Zé Pedro de Portugal.
Os Xutos foram a banda que mais vezes vi tocar na vida. Não
quero exprimi-lo, mas creio ser seguro dizer que os Xutos também findaram hoje,
se bem que nem Xutos nem Zé Pedro expirem, apesar da vida e da morte.
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