Com o Devido Respeito
Quem não deve não teme dizer as verdades,
como quem cospe o nome aos outros,
com um olho no burro e outro no cigano,
à boca pequena para não dar nas vistas.
Como quem cospe o nome aos outros,
contam um conto e acrescentam-lhe um ponto,
à boca pequena para não dar nas vistas.
Já se sabe: cada macaco no seu galho.
Contam um conto e acrescentam-lhe um ponto,
andam de boca em boca as velhas comadres.
Já se sabe: cada macaco no seu galho.
Gente de bem escolhe bem as companhias.
Andam de boca em boca as velhas comadres:
parece que sem padrinhos se morre mouro.
Gente de bem escolhe bem as companhias.
Com o devido respeito, está-lhes no sangue.
Parece que sem padrinhos se morre mouro.
Hoje em dia já não se pode dizer nada.
Com o devido respeito, está-lhes no sangue,
e é certo que agora há liberdade a mais.
Hoje em dia já não se pode dizer nada,
com um olho no burro e outro no cigano,
e é certo que agora há liberdade a mais.
Quem não deve não teme dizer as verdades.
Pantum (forma poética de tradição malaia)
por Jeremias Cabrita da Silva
in "Poemas para um País por Fazer"
(Edições Cravo & Ferradura, 2039
Etiquetas: Chordian Poetry, Jeremias Cabrita da Silva - Citações e Textos, Poemas da Crise, Poesia Cordiana, Revolucionando


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