sábado, janeiro 14, 2006

Nota Autoral 2 - "Photopoiesis" e "Cartas de Amor Ridículas"

Iniciei, na passada quarta-feira, nova empreitada poética: a série composta em tempo real "Photopoiesis" - poemas súbitos e instantâneos, em pleno desenvolvimento, com base inspiracional numa fotografia ou imagem. Hoje, introduzirei a novel série "Cartas de Amor Ridículas", também na forma poética, assinalando a óbvia influência de um poema de Fernando Pessoa (sob o heterónimo Álvaro de Campos) no tocante à titulação do compêndio amorável. Não poderia deixar de encetar ambas as séries poéticas sem uma palavra. Seguem-se, portanto, algumas mais - e apropriadas - do egrégio e sublime revérbero parcial de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos:
Todas as cartas de amor são ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21 de Outubro de 1935

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3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Esse poema é perfeito.
Poesia linda, palavras trançadas, Pessoa se espalha, se joga no papel, um eterno, um poeta.

[s]s

terça-feira, janeiro 17, 2006 3:01:00 da manhã  
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quinta-feira, junho 08, 2006 9:57:00 da manhã  

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