sexta-feira, março 27, 2015

Anno X - O Jantar

Semi-aleatória, como sempre, eis a legenda identificativa dos comensais cordianos, queridos Amigos presentes n' O Jantar que, por feliz destino, marca o 10.º aniversário deste blogue: André Paiva, Bruno Sardo, Carolina Pinto, Ricardo Tomás, Sofia Damião, Ricardo Pinto, Nuno 'Dino' Rodrigues, Carlos Nunes, Miguel Pereira, César da Silveira, João Barroso, João Trigo, Miguel Leão Miranda, João Pimenta, Hugo Simões, Rita Franchi, manas L. e M. Franchi Costa e Rui Pedro Costa. Se há um ano tínhamos um 11 inicial disposto a comer a relva, este ano fomos 19 para estágio - equipa completa, portanto, capaz de sentar sete suplentes e tudo, como mandam as regras.

Palavras são parcas, como vem sendo hábito, para descrever o que sinto quando vos vejo chegar, um a um, com um sorriso de amizade genuína estampada no rosto e veemente nos gestos, nos Abraços, nas saudades. De tudo o que possa já ter escrito antes nesta data, eis que procuro um golpe de asa prolixo que transfigure o cansaço, a exaustão, em doçuras de alma que sempre me enternecem, levando-me a perseguir algumas palavras que se agigantem, fazendo-vos justiça. 
Recordo que, há dez anos, quando o Caderno de Corda nasceu, não havia Facebook. Nós líamos mesmo os blogues uns dos outros, procurávamo-nos - a nós e aos outros - numa plataforma de linguagens mais íntimas e duradouras, por oposição à efemeridade e à aparência das redes sociais. Este ano, que completa a primeira década de grande aventura cordiana, é prova de que a casa se constrói pelos alicerces, e só assim permanecerá e crescerá forte, apesar do temporal lá fora e da iniquidade de um mundo hostil por natureza. 
Depois de uma noite em branco a trabalhar, num período difícil e muito exigente, olho para trás e constato que só um rato de arquivo (para não escrever "biblioteca", cujo termo seria bloguisticamente desadequado) com muito tempo vago e curiosidade felina poderia abarcar o volume e os conteúdos contidos nesta página desde o seu primeiro post. De facto, mesmo clicando na tag que reúne os posts relativos ao aniversário cordiano, e, por consequência, ao Jantar, constata-se que, por definição do Blogger, a página inicial já não tem de há algum tempo a esta parte capacidade para conter, de uma assentada, todos os conteúdos relacionados, acabando os mais antigos por ficar excluídos, embora consultáveis apenas com recurso aos arquivos mensais. 
Com todos vós tenho uma ou várias histórias de vida marcantes, momentos partilhados de memórias inapagáveis e impagáveis. Melhor do que isso, apraz-me olhar, por exemplo, para o Dino, para o César e para o Trigo, e vê-los à conversa como poderia tê-los visto há mais de 20 anos. Enche-me o coração armar um pretexto que volte a reunir outros três ou quatro amigos de infância, de escola primária, e outros tantos amigos de rua cruz-quebradense, de escuteiros, de colégio, de banda, de turma, e todos juntos sermos o momento de que se não desiste. Foi verdadeiramente esse o motivo que me fez, com o impulso do Gustavo Silva, patrono original do Jantar, pela primeira vez ausente por motivos incontornáveis, abraçar este Jantar como a uma tabla contínua de passado, presente e futuro maciços e duráveis, que se consubstancia na nossa presença e que consegue, paradoxalmente, flexibilizar os contornos do tempo e do espaço em concavidades e convexidades que nos mantêm à tona de uma realidade que, como não me canso de escrever nesta ocasião, transcende em muito a liça cibernética, resgatando a tangibilidade dos afectos.
Sim, este jantar é um feito de todos, muito além da celebração do aniversário do blogue, e eu só posso sentir-me honrado pelo privilégio de estar convosco anualmente, nesta data, de forma espontânea, livre e desejada mutuamente.
Como já havia referido no ano passado, "quando O Jantar se realize numa sexta-feira ou num sábado, devem os estimados confrades prolongar a saída nocturna para um copo em ambiente aprazível, propício à conversação e à troca de ideias". Ora isto acontecerá precisamente para o ano que vem, sendo que O Jantar irá realizar-se a um sábado. Preparem-se, pois.  
Prometo ainda que, em 2016, entabularei contactos antecipados com o Restaurante A Valenciana de forma a que o preço do jantar seja desinflacionado, uma vez constatada novamente a imparável subida de preços. 
Este ano o patrono do jantar, Gustavo Silva, não pôde, pela primeira vez, comparecer, mas sentimo-lo em espírito, tal como outros comensais cordianos não presentes nesta "edição", como o Paulo Amaral, o Hugo Dantas, o Ricardo Girão, o Rui Pina, o João Carlos, o Bruno Tomás (e a Rute), o Felipe Gomes ou o Rui Almeida. 

Como sempre nesta ocasião, o cabeçalho do Caderno de Corda encontra-se agora actualizado, podendo ler-se, no final da animação taylor made pelo realizador Tiago Pereira, Anno X. 

Daqui a exactamente um ano, no mesmo sítio, à mesma hora.

ASSIM foi. Assim seja. 

















Todas as fotos são do Irmão Ricardo Pinto, que só aparece quando a foto, de grupo, é tirada por um/a funcionário/a do Restaurante A Valenciana. 

Links para posts análogos dos aniversários anteriores:

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quarta-feira, março 25, 2015

'Silêncio (Estamos no Ar)' - nova canção em estreia absoluta, aquiagora


Como uma velha gravação de um ritmo de guitarra básico, swingado, num pequeno e portátil leitor de mp3, anteriormente usado para gravar entrevistas de trabalho jornalístico, resulta numa canção: 'Silêncio (Estamos no Ar)'. Aquilo eram apenas uns compassos de um ritmo meio repetitivo, mas que sugeriam qualquer coisa extra com facilidade - caminhos diversos por onde deambular sobre terreno pouco atribulado. 
Ora, aqui há uns meses, andava eu, por entre ficheiros mp3 de esquissos modestos e mal gravados, à procura de qualquer coisa açucarada para compor uma canção nova na qual pretendia utilizar novos instrumentos, quando fiz a minha escolha. A melodia da voz surgiu logo quase por inteiro nessa audição distante do ponto de partida. Peguei no meu gravador de oito pistas Boss BR800 e gravei, numa manhã, as guias de bateria, guitarra, baixo, voz (melodia apenas) e melódica. Quando necessário, usei os microfones incorporados do próprio gravador. O importante era o registo das ideias, rápidas neste caso. 
É em particular relevante referir que comecei por compor e gravar sobre uma bateria programada/desenhada por mim com recurso ao software Rhythm Editor do Boss BR800, tal como havia feito em 'Universo de 1', mas que, a meio do processo, acabei por comprar a "unidade de ritmo" "Doctor Rhythm" Boss DR880, que inclui pads dinâmicas e sensíveis que me permitem efectivamente tocar bateria com os dedos. Foi, portanto, no DR880 que toquei e programei a bateria que se ouve em definitivo nesta versão. Recomendo o DR880. Excelente máquina, mas não substitui um baterista. 
Depois da bateria, que inclui pistas de pandeireta, shaker e outros instrumentos (subtis q.b.) de percussão, gravei o baixo - o meu muy estimado Höfner Ignition Beatles Bass VSB, réplica acessível do de McCartney; as guitarras eléctricas (Duesenberg Starplayer TV e Ibanez EX-370); pela primeira vez numa canção, a minha primeira 12 cordas acústica - uma espantosa guitarra Fender Tim Armstrong Hellcat - e, também pela primeira vez, um inusitado e vintage sintetizador analógico de bolso Stylophone Dübreq (o primeiro a ser comercializado, na década de 60), uma Melodica (Thomann, a mais baratinha) e o também sintetizador analógico de bolso, este de última geração, Monotron Delay, performado com inspirada elevação por Modeler (Tiago Almeida Pereira), cuja participação muito me apraz. Por fim, gravei as vozes com o microfone de condensador largo Golden Age Project FC3 - pouca coisa, aliás; seguramente menos do que tinha idealizado, mas oito pistas são oito pistas, como um euro é um euro, ou como estar vivo é o contrário de estar morto. Como já tornei implícito, tudo foi gravado, produzido e masterizado no gravador digital de oito pistas Boss BR-800.  
Quanto ao tema, a lírica é quase naïf, em contraponto com as vozes de dois pulhíticos contemporâneos de grande e escatológica envergadura, como que dizendo ao público (ou a si próprio, ou mesmo outrém de si mesmo, quiçá quem? - a leitura está em aberto, sempre) para prestar atenção à música e vir dançar com ela. Bottom line, é sempre mais do que isso... Em todo o caso, também masterizei e publiquei na página do Reverb Nation uma segunda versão, sem a introdução das ditas vozes, a que chamei de versão "clean cut"
Por fim, mais uma vez consigo gravar todos os instrumentos de uma canção e só depois me apercebo da existência de um lapso na letra cantada (gravada). Assim sendo, justiceira errata, no primeiro verso da segunda estrofe, quando se ouve "a emissão vai começar" deveria ouvir-se "a sessão vai começar". Por esse motivo, mantenho a letra correcta abaixo, independentemente do lapso gravado. De sublinhar, mais uma vez, a colaboração pronta do Tiago Pereira, que pela primeira vez participou na grande aventura cordiana. Ao momento, além de outras vazas à espera de corte, eu, o Bill e o Tomás mantemos uma nova canção por concluir, totalmente captada no estúdio do Bill. A ver vamos o que dela será. Poderá alguém ainda ajudar a concluí-la, ou então não. Bottom line, é sempre mais do que isso, mas, de facto, aqui é a música que interessa. Silêncio! Estamos no ar!


Todas as canções originais estão disponíveis para download gratuito. 

Clique em "download". 

* Silêncio (Estamos no Ar) - letra *

Eu não demoro, volto já
Não se levante do seu lugar
A emissão vai começar
Silêncio, que já estamos no ar...

Silêncio, yo-yo...

Silêncio!
Silêncio!, estamos no ar!
Estamos no ar!...

A sessão vai começar 
Tu no balcão, no melhor lugar
Fica pra ouvir, vem dançar
Silêncio!, que já estamos no ar...

Silêncio, yo-yo...

Silêncio!
Silêncio!, estamos no ar!
Estamos no ar!...

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Anno X - O Jantar (convocatória tardia)

Quase uma década de Caderno de Corda. À chegada, chega também, tardia mas da praxe, a convocatória formal para O Jantar, que se realiza invariavelmente no restaurante A Valenciana. Como sempre, a participação é livre e dedicada aos meus indefectíveis Irmãos cordianos, pensando também nos estimados leitores, fisicamente distantes, ou nem por isso. Note-se que O Jantar se realiza sempre a dia 26 para que, a 27, dia de aniversário, este blogue se apresente devidamente engalanado e actualizado. Ten!

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