terça-feira, abril 19, 2011

Voluntariado há dez quilos atrás na revista Transformar

A imagem captura o excerto de um artigo mais vasto sobre o Voluntariado, no seu ano, escrito pelo Rui Almeida para a 44.ª edição da Transformar - a revista dos associados e amigos do Fórum Abel Varzim. Uma figura particularmente próxima recordou levemente por entre aquelas páginas a sua experiência indelével na Guiné-Bissau há 10 quilos atrás.

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quarta-feira, agosto 06, 2008

Rito de passagem

Anseriz pintada por Falcão Trigoso no ano de 1929, do Largo de Santo António. Casas e balcões da Rua Direita

A ausência prolongada merece e tem justificação. Na passada sexta-feira acompanhei, impromptu, um Irmão à muito particularmente sua e nossa (dos portugueses) terra pater - Guimarães. Com passagens breves pelo Porto, assistimos, na Casa da Música, à segunda edição do louvável festival Lusa Vox - criação do meu companheiro. Depois, segui para a serra da Lousã, território de Viriatos lusitanos, onde pernoitei entre domingo e terça-feira.
De permeio, uma importante visita à aldeia de Anseriz (Concelho de Arganil, Coimbra), que ainda não conhecia, e de onde eram naturais os meus avós paternos Maria do Rosário e Francisco. Cumprido o ciclo de retorno do meu rito iniciático de passagem (passe a tríplice correlação prepositiva), ali fui recebido de braços abertos como se D. Sebastião fosse. Abracei, por exemplo, a D. Trindade, sobrinha da minha saudosa avó Rosária.
Para não vulgarizar nem pessoalizar demasiadamente o relato e porque, sendo tarde, estou realmente cansado e incapaz, prefiro guardar, para já, nomes e palavras, destilando os sons, as imagens e o toque em monólogo interior. Mas não posso deixar de referir o nome do professor Manuel Fernandes, com quem tive o prazer e a honra de jantar. É graças a ele que Anseriz tem memória. Este é um "até breve".

Pode visitar-se AQUI o site de Anseriz (desenvolvido, a expensas próprias, pelo amável professor Manuel Fernandes)

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terça-feira, julho 22, 2008

Memória de Bissau, em frente ao BIGB e com uma velha t-shirt dos Three and a Quarter, 2000

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domingo, abril 20, 2008

Poemas da Terra Nova III

Poderei escrever como se sentisse o que há pouco me fez pensar?
Como exprimi-lo sem que finja tê-lo simultaneamente no coração e no pensamento?
Agora que o encontrei, partiu;
Agora sinto-o; agora não,
e temo não sentir,
como se ausente de mim mesmo
pudesse deixar de existir,
apesar de vivo.
Não posso ficar na porta de embarque
- tenho de te cheirar, ó vida, como a uma grande maçã viçosa.
Estou a meio no retrato
com o mundo à minha volta,
mas não passo de um bichinho
com universos dentro de mim.

Nova Iorque, 19 de Abril de 2008, 17h42

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sexta-feira, abril 18, 2008

Poemas da Terra Nova II

Mixed foods; mixed tastes;
the salt and the bell peppers,
drawn in a piece of paper.

The hoods and the waste;
the spreading innocence of beggars,
pawns redeemed by hunger, misplaced.

Pawns of the hills,
children of the night,
forgotten sons of orgasmic chills,
orphans of their men-given rights.

San Francisco, April 17th, 2008
Photo: Ron Niebrugge

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quinta-feira, abril 17, 2008

Poemas da Terra Nova I

Néons imperativos rasgam o silêncio monocromático da noite. Supremo, jovem. Uma cerveja belga, rubi, fumo livre atrás de grades. Indecisos, cantores sem voz, poetas de rua, negros de latão, betão e esmola, contando verdes de dólar, que ser pobre aqui exige dotes de gestão, ainda que dormindo capitalmente no chão, como em Lisboa ou Praga, junto a uma porta morta, na rua, num relentado vão de escada. E as semelhanças não se quedam numa ponte, nem nas portas, nem nos latinos nomes, que o primeiro franciscano reconhecido - de Assis herdado epíteto - é neto de portuguesa, com ares de Carlos Paião.
S. Francisco, 16 de Abril de 2008
Foto: Ron Niebrugge

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terça-feira, abril 15, 2008

Estou aqui; estou em São Francisco


Foto de Ron Niebrugge. DAQUI. "H" de "here we go"?...

Estimado Leitor:
O Caderno de Corda poderá, ou não, sofrer uma quebra de publicação por consequência de uma viagem inesperada ao Estado norte-americano da Califórnia, com pit stop em Newark e destino em São Francisco.
Julgo que terei tempo para visitar a cidade, tida por muitos como a mais bonita dos EUA. No programa está uma ida obrigatória a Palo Alto, junto ao Silicon Valley, ambos centros nevrálgicos da mais alta investigação e conhecimento científicos. As pontes Golden Gate e Bay estão no itinerário. Yerba Buena e Treasure Island também. Chinatown e California Street (a das encostas das perseguições de carros voadores em filmes prodigiosos de inumeráves que são) estão ali ao pé-de-semear, perto do hotel.
Tentarei bater Alcatraz, de Charrière e Al Capone, mas não vou falhar, de maneira alguma, a City Lights Books, na Columbus Avenue, entre a Broadway e o Jack Kerouac Alley. Estou a pensar em São Francisco como o coração indomesticável da contracultura norte-americana desde o início da segunda metade do século passado, atingindo o clímax com o Verão do Amor, em 1967. Mas nem por isso me fascina pensar na cidade como núcleo de hippies - nem de homossexuais, é certo (um em cada cinco machos não o são exactamente).
Em boa verdade, fascina-me sobremaneira hanging around por ruas e avenidas onde a Geração Beat incendiou as palavras em coffeehouses. São Francisco epicentro da arte e do activismo liberal... I truly like it, dear reader.
Vou em trabalho. Parto hoje, daqui por poucas horas, e ainda não fiz a mala. No Hilton terei, por certo, acesso a Internet. Vou procurar estar atento e, quiçá, escrever Poemas da Terra Nova. Volto no domingo, mas não me acordem. O fuso horário é de oito horas...

'Té já.

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quinta-feira, janeiro 03, 2008

No dia 31 de Dezembro falhei Sagres por quatro sapateiras à minha espera na doca de Lagos...
Foto: Fabi

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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Primeiro post de 2008

O Caderno de Corda suspendeu a publicação até hoje. Motivo: festejos da passagem de ano, no Algarve, mais concretamente em Salema. Revi Sagres, Lagos e, muito especialmente, o Burgau, onde passei férias inesquecíveis, com banda sonora dos Red Hot Chili Peppers (Blood Sugar Sex Magik).
Começa um novo ano de publicação, que se espera auspicioso. O Caderno de Corda deseja assim aos estimados leitores um 2008 simplesmente magnífico, apesar de taxas de juro, subsídios cortados, inflação galopante, leis castradoras, coimas proibitivas... Qualquer dia já não desejamos "felicidades" ao próximo, mas "liberdades".

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sábado, agosto 11, 2007

De regresso às lides

Por entre o tempo em estúdio, a gravar linhas de guitarra, e o tempo de praia numa ilha do Sul esquecido - encurtado por um escaldão de primeiro dia -, regresso à lide blogosférica ainda ao ralenti, sem promessas nem ideias, infelizmente. Confesso não ter escrito nada em férias, nem sequer ter lido de fio a pavio livro que mereça registo. No decorrer deste período de ausência, que creio ter sido o mais prolongado de sempre do Caderno de Corda, pouco ou nada produzi que se leia, mas sinto estar próxima a oportunidade de divulgar algo que se ouça...

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quarta-feira, abril 11, 2007

Baby Jane: Boa onda no Porto

Os Baby Jane regressam, este sábado, no Porto (Rotunda do Queijo), ao palco. Depois de cerca de seis anos de ausência intermitente, eis que a banda de Lisboa se associa a um grande projecto, tornando-se patrocinada da FIAT Freestyle Team e, por inerência, banda oficial do Campeonato Nacional de Surf. Começa já na próxima sexta-feira o Lightning Bolt Pro, segunda etapa do Campeonato Nacional de Surf Buondi, mas a banda só se apresenta em concerto único no sábado. Abaixo, deixo aos estimados leitores a agenda de concertos.

AGENDA

14 de Abril - Lightning Bolt Pro, PORTO
2 de Junho - Arnette Pro, ERICEIRA
28 de Julho - FIAT Freestyle Team Pro, PRAIA GRANDE
29 de Setembro - Rip Curl Pro, PENICHE
9 de Novembro - B! Pro, CARCAVELOS

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domingo, abril 01, 2007

Suspiros do Novo Mundo II

Na genética dos seres,
lusos de descendência,
uns viraram tão beras,
e outros, de tal rescendência...

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sexta-feira, março 30, 2007

Suspiros do Novo Mundo I

Ai, vida de hotel!, alheada
do calor intenso e húmido,
na aragem condicionada
do observador abstraído.

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quarta-feira, março 28, 2007

Novi Orbis


Royal Palm Plaza Hotel Resort, Campinas, São Paulo

Parto hoje, às 9h35, para São Paulo, donde irei posteriormente para Campinas, a 90 km da capital paulista. Uma viagem de trabalho. Cinco dias no Novo Mundo. Os primeiros. O Caderno de Corda voltará à publicação regular na próxima terça-feira. Um sacrifício!...
;)

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terça-feira, março 20, 2007

Ano e meio depois, as fotos!

Lá está a minha cabecita, na ponta esquerda da terceira fila de bancos a contar de baixo, também à esquerda
A 15 de Setembro de 2005, este vosso humilde blogger fazia uma pausa de publicação assinalada AQUI (repare-se no comentário ao post deixado quase um ano volvido, a 1 de Agosto). O motivo prendia-se com o casamento do amigo Caesare de Ferranti e Angela, a 17 do mesmo mês, em Gandía, próximo de Valência. Juntava-me assim à comitiva portuguesa, que se deleitava nas cálidas águas mediterrânicas, no dorso inferior da Península.
Um ano e meio depois, o Chez teve hoje a amabilidade de me enviar um mail contendo o link para o álbum fotográfico cibernético da ocasião, que passo a transcrever:

"Dear All,

The long awaited for Wedding Pics from September 2005! Sorry it has taken so long to put the site together. There are still some photos friends took that have yet to be added but we could not wait any longer to make the site live.

When you open the link (
http://web.mac.com/caesare.ferranti/iWeb/Site/Welcome.html) you can double click on the thumbnails to enlarge individual photos and right click if there are any you want to save. The slide show icon is obviously self explanatory but that too has some functionality to it that will become apparent when you click on the icon.

Please pass on the link to anyone you know we have accidentally left out.

Hope you enjoy the pics.

Love & Hugs,
Chez & Angela
"

Cliquem AQUI para aceder à página que contém as fotografias deste casamento de boa memória.

Hey, Chez, is there any better way to pass on the link than to publish it in a blog?

*Dedicated to the happily married couple and to the Ferranti family, with love and hope for an even brighter future.*

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quinta-feira, novembro 23, 2006

Poemillo Català / Poemeto Catalão

A fronte contrapicada da Sagrada Família, Barcelona
Poemillo Català

Al Ciutat, crits de socors,
que el temps no reposa ni dorm.
La Ciutat se deslliga;
De peresa, s'obren collitas.
I tan pròxim com la nit,
tan intens com un crit,
nel secret dels camins,
tan dens com el silenci,
el món per companyia.

n.b. - O poema acima, escrito em catalão, é resultado criativo de um brevíssimo estudo da poesia e da língua catalã. É certo que não sei falar (e muito menos escrever) catalão, mas tentei. Se algum de vós for entendido na língua, agradeço que, através da caixa de comentário, me ajude a corrigir os erros ortográficos, de sintaxe ou semântica, se os houver. Abaixo segue a tradução para português.

Poemeto Catalão

Na Cidade, gritos de socorro,
que o tempo não repousa nem dorme.
A Cidade se desliga;
De preguiça, restam caídas as colheitas.
E tão próximo como a noite,
tão intenso como um grito,
no segredo dos caminhos,
tão denso como o silêncio,
o mundo por companhia.

No Parque Güell

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quinta-feira, novembro 16, 2006

Seria, de qualquer forma, a próxima cidade a conhecer...

Parto hoje, de madrugada, para Barcelona. Volto no sábado à noite. A viagem, profissional, veio a calhar. Afinal, Barcelona estava à cabeça da lista de destinos a conhecer. A parte de Espanha que faltava. Isto significa que se segue Londres. Até domingo!

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terça-feira, agosto 08, 2006

Viatìcu, cammínu, percursu, cognitio, libertáte: Parisii!

A Torre Eiffel vista por baixo, à noite (a foto é de telemóvel, como, aliás, as duas seguintes)
“Somos sempre levados para o caminho que desejamos percorrer” - já se escrevia pelos doutores hebreus debaixo das barbas hirsutas, cerdosas, eriçadas, nas sombras assombrosas da luz trémula do círio, fora pela noite ululante, escura e seca. Mas jamais qualquer Talmude imaginável da doutrina e dos costumes, ilegível sob a poeira babilónica, me confessaria outrora sussurrado (timidamente escrito) o mais longínquo extremo do destino. Daí também o percurso, o conhecimento, a liberdade. “Percorrer o Caminho” - eis a dimensão verbal expressiva simples que, no meu dicionário, melhor se adequa à experiência da viagem de longa distância por via terrestre, em oposição à viagem de avião, pela qual nos sentimos como que imediatamente “teleportados” de um local para o outro, para qualquer parte do planeta a quase qualquer hora, e sem experiência cognitiva e sensível de permeio. Fui de carro, sim, como aliás já havia escrito. O destino final e mais longínquo do ponto de partida (Lisboa) acabou por ser, impromptu, Paris.
Manejando habilmente as alavancas dos mecanismos do improviso, como é apanágio da boa gente lusitana, traçando a rota do dia seguinte em função do Caminho percorrido, concluímos, a meio da primeira semana, algures em Bilbao (já depois de visitar o Guggenheim), que poderíamos estar em Paris na sexta-feira, sem grande esforço. O risco fascinante embebido em emoção gerava um qualquer engrandecimento de espírito que acabaria a sofrer suavemente por antecipação, mas muito pior seria a indelével culpa pela oportunidade perdida, pejada de cobarde passividade existencial... Talvez o que senti fosse meramente adrenalina.

Escreverei então, para que fique registado, o itinerário da viagem, que realmente se iniciou quando a dois (com partida de Santarém para Vila Nova de Cerveira), no dia 21 de Julho de 2006, e não no dia 20, desde Lisboa, donde parti sozinho:

Ida

Lisboa; Santarém; Vila Nova de Cerveira; A Coruña; Gijón; Picos da Europa (Covadonga, Arenas de Cabrales, Naranjo de Bulnes); Bilbao; Bordeaux; Poitiers; Chartres; Versailles; Paris.

Regresso

Paris; San Sebastián; Vitoria – Gasteiz; Miranda de Ebro (xiiiii); Valladolid; Tordesilhas – o almoço na Plaza Mayor (ou Pequeña?) foi agradável, mas a casa-museu onde se assinou o Tratado estava fechada, sem quaisquer indicações, lamentavelmente, talvez devido à siesta; Salamanca e, finalmente, Portugal, Lisboa, um céu azul divinal e límpido, e um calor dos demónios.

“Os homens tropeçam por vezes na Verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada tivesse acontecido.” Churchill terá dito também que “o orgulhoso prefere perder-se a perguntar qual é o seu caminho” – e, irra!, como eu conheço gente assim!
Se é verdade que o homem não precisa de viajar para engrandecer, pois traz em si o infinito, recordo as palavras de Victor Hugo, jacente no Panteão de Paris, que visitei, em pleno Quartier Latin:

“Viajar é nascer e morrer a todo o instante.”

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quinta-feira, julho 20, 2006

'Té já

Como nunca até hoje visto, o Caderno de Corda verá pausada a publicação pelo período mínimo de 15 dias, por ventura – e não "porventura" – de merecidas férias do autor, que partirá amanhã, dia 21, à aventura, para Norte, eventualmente até ao País Basco, com escala na Galiza e nas Astúrias, e por via terrestre. Um amor, uma tenda, um carro e um fogão a gás, numa versão evoluída de "um amor e uma cabana"; numa aproximação tão palpável da felicidade que se afigura mentira. Não obstante, deixei aos estimados leitores dois fresquíssimos poemas ("Epígrafe" e "Estrelas Carentes"), escritos esta semana, para que assim se sacie vossa sede poética. 'Té já.

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quarta-feira, abril 26, 2006

A Revolução está por fazer - Qüotidianos 2


Não sei ao certo o que escrever hoje, dia 26, depois de ter falhado a publicação ontem... Estive fora. Passei a tarde em Peniche, donde, como se sabe, no dia 3 de Janeiro de 1960, se evadiram do forte Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues. Ao fim da tarde daquele dia, parava na vila, em frente ao forte, um carro com o porta-bagagens aberto. Estava dado o sinal, do exterior da prisão, de que tudo se encontrava a postos.
Eu, hoje, estacionei o carro junto ao forte, mas deixei-o obviamente trancado, e bem! Explorei um desfiladeiro escavado pelo mar e por obras públicas de 1954 (o da foto). É então que surge uma senhora que diria bastante idosa - a avaliar também pelo cabelo completamente branco e pela face, pele enrugada e curtida pelo sol - surgir em passo solto, leve e seguro pelas pedras, dirigindo-se a um monte de rochas com metros valentes de diâmetro, que perfaziam outros tantos em altura. Com a maior das naturalidades, desatou a escalar o penedo, calhau a calhau, com a ajuda das mãos. Fiquei a observá-la, a vinte metros. Chegou onde queria. Esticou o braço distendendo todo o corpo, com uma agilidade notável. Alcançou algo. Vejo sair, de entre os pedregulhos, uma peça de... roupa? Sim, e branca - uma meia que havia caído do estendal de uma casa construída sobre o despenhadeiro, no limite do rochedo. Ali fiquei, talvez esperando-a. A senhora passou por mim no caminho de volta e sorriu. Disse-lhe "boa tarde", ao que ela replicou. Não resisti e lancei, de imediato: "Isso é que foi uma trabalheira (...) Parecia uma jovem de 16 anos!" Houve parada, resposta, e uma saudação amigável acompanhada de sorrisos. A senhora voltou a subir até à boca do desfiladeiro, deixando para trás os pedregulhos. Foi novamente para a lida da casa, num afã paradoxalmente apaziguador. Quedei-me ali por mais dois minutos, talvez. Quando me vinha embora, ouço, lá de cima: "Já se vão embora?" Novamente entre sorrisos, o assentimento e o prenúncio da derradeira despedida. Lá de cima, de uma janelinha no precipício, as palavras "Boa sorte! Sejam felizes!"
Voltando ao princípio, apesar de me arrepiar inexplicavelmente o "E Depois do Adeus" - e até, a espaços, o "Grândola" -, eu diria que a Revolução está por fazer...

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